Dispositivo policial no Martim Moniz, em Lisboa
Uma procissão que atravessou, na tarde deste domingo, a zona do Martim Moniz, em Lisboa, contou com a presença de quatro Equipas de Intervenção Rápida (EIR) da PSP. No total, terão estado no local cerca de 30 operacionais, que surgiram equipados com coletes balísticos.
Apesar de a PSP admitir ao JN que o risco associado ao evento foi “considerado baixo”, a opção de recorrer a coletes à prova de bala - num espaço marcado por uma forte presença de cidadãos estrangeiros - não terá reunido consenso dentro da própria Polícia, segundo informação recolhida pelo JN.
Orientações internas sobre coletes balísticos
De acordo com outra fonte policial ouvida pelo JN, antes do arranque da operação terá sido dada indicação para que os elementos no terreno utilizassem coletes balísticos. Contudo, numa fase posterior, o responsável pela coordenação da operação terá transmitido orientações para que os coletes não fossem envergados.
Ainda segundo a mesma versão, essa alteração terá surgido após contactos com o comando de divisão, com o objetivo de tornar mais discreta a presença das EIR num contexto de caráter religioso.
A mesma fonte acrescenta que os próprios operacionais das EIR terão entendido essa orientação como passível de levantar dúvidas do ponto de vista da segurança operacional. Nessa leitura, ter-se-ão apresentado com coletes balísticos e outro equipamento de proteção, num comportamento descrito como um alegado ato de desobediência.
Polícia nega desobediência
Confrontada pelo JN, uma fonte oficial da PSP rejeitou que tenha existido qualquer desobediência. “Da parte do responsável operacional, não foi interpretado qualquer problema de ordem disciplinar”, afirmou o porta-voz da PSP, subintendente Sério Soares.
O mesmo responsável explicou ainda: “Antes sim, foram ouvidos e auscultados os vários responsáveis das equipas intervenientes e, depois de recolhidos os elementos essenciais de informação para a execução, a operação foi decidido o uso de equipamento de proteção”.
Segundo o responsável pelas relações públicas da PSP, “apesar de o risco ser considerado baixo para este tipo de serviço/policiamento, foi decidido, mesmo assim, autorizar as EIR a envergar material de proteção, depois de efetuado briefing operacional e antes do início da operação”.
A Procissão de Nossa Senhora da Saúde é uma das mais antigas e emblemáticas manifestações religiosas da cidade de Lisboa, estando intimamente associada à memória histórica dos artilheiros portugueses.
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