Os indícios recentes de algum alívio não significam, necessariamente, o fim da crise dos semicondutores. Na verdade, o problema pode continuar por resolver - e até intensificar-se ao longo dos próximos anos.
Esta é, pelo menos, a leitura de responsáveis da Stellantis, que antecipam que a falta de chips volte a «travar» a indústria automóvel no futuro próximo.
Porque é que a crise dos semicondutores pode agravar-se
Entre os fatores apontados está a subida das vendas de automóveis elétricos. Soma-se ainda o atual contexto de instabilidade global, muito influenciado pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
Citado pela Automotive News Europe, Joachim Kahmann - responsável por supervisionar todas as compras de semicondutores da Stellantis - não deixa margem para dúvidas sobre o que espera do lado da oferta, admitindo que o risco “vai aumentar drasticamente” nos próximos anos.
Kahmann sublinha também que, nos últimos dois anos, a variedade de semicondutores integrados num automóvel se traduziu em “muitos problemas em todo o lado, e quando resolvíamos um tópico, aparecia logo outro de seguida”.
Chips mais complexos e maior dependência entre sistemas
Estes «sintomas» apontam para um cenário potencialmente mais exigente. A eletrificação, a digitalização e a conectividade que hoje definem os automóveis estão a levar à utilização de semicondutores cada vez mais sofisticados e a exigir mais sinergias entre componentes.
Na prática, isto implica que uma falha no abastecimento “pode afetar não só uma ou duas fábricas, mas talvez cinco, seis ou sete”, como explica Kahmann.
Qual é a solução para este problema?
Para minimizar ao máximo a probabilidade de uma nova crise de semicondutores, a Stellantis avançou com vários contratos e parcerias com empresas consideradas estratégicas no setor - entre as quais a Qualcomm, a NXP Semiconductors e a Infineon Technologies -, assegurando encomendas com o objetivo de garantir as necessidades para os próximos anos.
Para isso a empresa liderada pelo português Carlos Tavares vai investir qualquer coisa como 10 mil milhões de euros até 2030.
Além disso, a Stellantis revelou que está igualmente a trabalhar com a AiMotive e com a SiliconAuto para desenvolver os seus próprios semicondutores, reduzindo assim a dependência dos «ventos» frequentemente imprevisíveis da indústria.
Fonte: Automotive News Europe
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário