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Líderes europeus condenam ataque massivo russo à Ucrânia com míssil Oreshnik

Reunião formal entre representantes da União Europeia e da Ucrânia numa sala com bandeiras e documentos.

Ataque russo com míssil Oreshnik e balanço inicial

Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, bem como Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha, reagiram com condenações ao que classificaram como um "ataque massivo" da Rússia contra a Ucrânia, que envolveu um míssil com capacidade nuclear.

A Rússia assumiu ter recorrido ao míssil hipersónico Oreshnik no ataque lançado durante a noite. Do lado ucraniano, a Força Aérea reportou que, no mesmo bombardeamento, Moscovo empregou 690 sistemas de ataque aéreo, entre drones e mísseis de diversos tipos, tendo como principal alvo a capital, Kiev.

De acordo com o mais recente balanço das autoridades ucranianas, citado pela AFP, os ataques russos provocaram pelo menos quatro mortos e mais de cem feridos.

Reacções da União Europeia: von der Leyen e António Costa

Na rede social X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu: "O ataque massivo da Rússia à Ucrânia na noite passada mostra a brutalidade do Kremlin e o seu desrespeito tanto pela vida humana como pelas negociações de paz".

Para von der Leyen, "o terror contra civis não é força, é desespero". E acrescentou: "Estamos firmemente ao lado da Ucrânia, com apoio adicional a caminho para reforçar os seus sistemas de defesa aérea".

Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou que o recurso ao sistema de mísseis Oreshnik e os "ataques massivos por toda a Ucrânia" constituem uma "demonstração implacável de brutalidade dirigida a civis e infraestruturas civis".

O antigo primeiro-ministro português declarou ainda: "Condeno fortemente esta escalada imprudente. É mais um lembrete claro de que a Rússia não tem interesse em envolver-se em negociações de paz significativas", insistindo que a União Europeia permanece "firme no seu apoio à Ucrânia".

Condenações de Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha e Portugal

A partir da Alemanha, o chanceler Friedrich Merz condenou igualmente "veementemente esta escalada imprudente" - ocorrida na véspera do Domingo de Pentecostes, celebração cristã - e assegurou que Berlim continua "firmemente ao lado da Ucrânia".

Em França, o Presidente Emmanuel Macron censurou o ataque russo e a utilização do míssil balístico, entendendo que "não fazem mais do que refletir uma forma de fuga em frente e o impasse da guerra de agressão russa".

Perante a vaga de ataques, Macron reafirmou a "determinação" francesa em manter o apoio a Kiev, fazer tudo o que for possível por uma paz justa e duradoura e reforçar a segurança europeia.

De Londres, a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, denunciou "cenas horríveis em Kiev e por toda a Ucrânia durante a noite após mais um grande ataque russo".

Ao partilhar uma mensagem do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, Cooper comentou: "Concordo com Andrii: o ataque crescente de Moscovo contra civis ucranianos revela a sua fraqueza".

Na mensagem partilhada, o governante ucraniano afirmava: "Putin queria mostrar 'força', mas apenas confirmou a sua fraqueza".

Em Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni censurou o "grave ataque russo" que voltou a atingir infraestruturas civis e apontou o "aumento progressivo" do nível de armamento utilizado. "A nossa solidariedade vai para a população ucraniana, que há mais de quatro anos tem sofrido as consequências dramáticas desta guerra de agressão", declarou em comunicado.

O Governo espanhol também condenou o ataque, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, que acusou Moscovo de prosseguir "a sua estratégia de terrorismo contra a Ucrânia", reiterando o "apoio firme e unido à defesa da Ucrânia e a uma paz justa e duradoura".

De igual modo, Portugal condenou "fortemente" o que descreveu como "mais um enorme ataque" russo contra a capital ucraniana, reiterando "toda a solidariedade" e o apoio "sem reservas" à Ucrânia.

Relato de Zelensky e explicação apresentada por Moscovo

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou o ataque com o míssil de alcance intermédio Oreshnik na região de Kiev. Segundo o chefe de Estado, os bombardeamentos russos atingiram durante a noite uma infra-estrutura de abastecimento de água, um mercado, dezenas de edifícios residenciais e várias escolas. Além disso, o míssil foi disparado contra a cidade de Bila Tserkva, cerca de 80 quilómetros a sul de Kiev. "Eles estão mesmo loucos", declarou Zelensky numa mensagem no Telegram.

De acordo com a informação disponível, esta terá sido a terceira utilização, em território ucraniano, do míssil com capacidade para transportar ogivas nucleares ou convencionais.

Por seu lado, Moscovo justificou os bombardeamentos nocturnos - que afirmou terem visado apenas instalações militares - como retaliação ao "ataque mortal" de Kiev, na quinta-feira, contra uma residência de estudantes na região ocupada de Lugansk, que terá causado pelo menos 21 mortos e mais de 40 feridos.

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