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Exercício Conjunto, Binacional e Interagencial “Solidaridad 25” arranca em Puerto Varas

Soldados de várias forças militares apertam as mãos junto a mesa com mapa, com monte nevado ao fundo.

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Abertura oficial em Puerto Varas

No centro da praça de armas de Puerto Varas, num ambiente marcado pela coordenação entre dois países, foi formalmente dado o pontapé de saída ao Exercício Conjunto, Binacional e Interagencial “Solidaridad 25”. A iniciativa não se limita a treino militar e civil para cenários de catástrofe: representa também um momento relevante na trajectória de cooperação entre as Forças Armadas do Chile e da Argentina.

A sessão inaugural foi conduzida pela Delegada Presidencial Regional da Região de Los Lagos, Paulina Muñoz, acompanhada pelo Subchefe do Estado-Maior Conjunto do Chile, General de Divisão Lionel Curti, e pelo presidente em substituição da câmara municipal de Puerto Varas, Cristián López. Estiveram ainda presentes representantes das Forças Armadas de ambos os países, forças policiais, bombeiros, profissionais do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (SENAPRED) e delegações argentinas.

Exercício “Solidaridad 25”: enquadramento, história e objectivos

Um exercício com história e propósito

“Solidaridad” é um nome com significado próprio. O exercício assenta no Acordo de Cooperação em Matéria de Catástrofes celebrado entre Chile e Argentina em 1997, instrumento que institucionaliza a assistência recíproca perante desastres naturais e emergências humanitárias. Desde então, foram realizadas várias edições deste treino, com versões sucessivas a ampliarem o alcance e a integrarem cada vez mais entidades civis e militares.

Na simulação deste ano, a complexidade é assumida desde o início: um sismo de magnitude 8,9 dá origem a uma sequência de ocorrências que atinge directamente a população. O planeamento inclui actividades de busca e salvamento em estruturas colapsadas, apoio a localidades isoladas, operações em ambiente lacustre, potabilização de água e contenção de derrames de hidrocarbonetos, entre outros desafios.

Durante a cerimónia, o Director da Direcção de Educação, Doutrina e Treino Conjunto do Estado-Maior Conjunto (EMCO), Coronel Francisco Arellano, salientou o que considera ser a essência do exercício: “O verdadeiro valor deste exercício está nas lições aprendidas, nos vínculos de confiança que se fortalecem e na capacidade de projectar melhorias para o futuro”.

Na mesma linha, o Coronel (E) Miguel Ángel Wissinger, Comandante Conjunto de Protecção Civil em Emergência da Argentina, destacou a dimensão integradora do “Solidaridad 25”: “Este exercício não só treina as nossas Forças Armadas, como também reforça os laços com as instituições civis e com a comunidade. É uma demonstração concreta do compromisso mútuo”.

Coordenação interagencial e preparação operacional

Um dos pontos mais relevantes do exercício reside no seu carácter interagencial. Não se trata apenas de acções militares: é, antes, uma malha de colaboração em que bombeiros, polícias, serviços de saúde, protecção civil e organismos técnicos actuam como um único dispositivo de resposta. A interoperabilidade - isto é, a capacidade de instituições distintas operarem de forma coordenada - é colocada à prova e, simultaneamente, reforçada.

Após a cerimónia, as autoridades visitaram uma mostra estática onde foram apresentados os equipamentos, tecnologias e veículos que serão utilizados ao longo das simulações. A exposição funcionou também como espaço de educação para a cidadania, aproximando a comunidade do trabalho de preparação que, em regra, decorre longe do olhar público.

Um exercício que projecta futuro

O “Solidaridad 25” não se esgota no cenário simulado. O que acontece ao longo desta semana na Região de Los Lagos será posteriormente avaliado, registado e analisado, com o propósito de alimentar protocolos futuros para respostas a emergências reais. Exercícios desta natureza consolidaram-se como uma plataforma estratégica de assistência mútua, confirmando a cooperação binacional não como alternativa, mas como necessidade perante desafios globais.

A Argentina e o Chile, dois países habituados a conviver com catástrofes naturais, continuam a demonstrar que a solidariedade activa, o planeamento conjunto e a vocação de serviço não conhecem fronteiras.


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