Saltar para o conteúdo

Alemanha pode integrar o GCAP após o fim do FCAS

Quatro homens observam um jato de combate avançado numa hangar, com maquete e plano do avião numa mesa à frente.

Adicione aos favoritos no Google.

Porquê adicionar-nos? Receba as notícias do Zona Militar no seu Google.

Fim do FCAS e oportunidade para o GCAP

Depois de um desfecho que já se antecipava para o programa FCAS - atribuído sobretudo ao prolongado diferendo entre a Airbus e a Dassault quanto à repartição da participação industrial -, em Itália voltou a ganhar destaque a hipótese de a Alemanha passar a integrar o desenvolvimento do caça de sexta geração GCAP. Esta possibilidade ganhou novo impulso após declarações recentes do actual director-executivo da italiana Leonardo, Lorenzo Mariani, que, confrontado pela imprensa, defendeu que aproveitar a janela de oportunidade para trazer Berlim como parceira seria altamente vantajoso para o programa.

Leonardo: Lorenzo Mariani sublinha o valor da Alemanha no GCAP

Em declarações à Reuters, Mariani afirmou: “(NdE: a Alemanha) seria, sem dúvida, uma parceira particularmente valiosa. Do ponto de vista industrial, não há dúvidas de que a Alemanha contribuiria com a sua experiência para o projecto.” Ainda assim, o responsável - nomeado para o cargo em Abril passado - frisou que não lhe compete conduzir a escolha de eventuais novos parceiros, uma vez que se trata de uma decisão que também envolve os outros dois participantes do GCAP ao lado de Itália: o Reino Unido (através da BAE Systems) e o Japão (com a Mitsubishi Heavy Industries).

Mais parceiros, mais capacidade: ambição italiana e meta 2035

Importa lembrar que Itália, há já bastante tempo, tem demonstrado abertura a alargar o leque de países no GCAP, partindo do entendimento de que o desenvolvimento de um caça de sexta geração beneficiaria com maior aporte financeiro e com capacidades industriais adicionais. O próprio Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, já tinha referido noutras ocasiões que outros países seriam absolutamente bem-vindos, mesmo quando o FCAS ainda se mantinha activo. A ambição, olhando para os próximos anos, é colocar a nova aeronave de combate em serviço até 2035.

Nesse contexto, o conjunto de países que já mostrou interesse no GCAP é amplo e não se limita à Europa. Crosetto detalhou, em particular, que houve contactos iniciais com países como a Austrália, a Arábia Saudita e o Canadá, acrescentando que: “Quanto mais países se juntarem, maior será a massa crítica na qual se poderá investir, mais capacidade intelectual poderá ser reunida, maior será o retorno económico e menor será o custo para nós.”

Além disso, tal como noticiámos em Março passado, a Índia também sinalizou um interesse potencial em aderir ao FCAS ou ao GCAP para obter um caça de sexta geração - uma bifurcação que deixou agora de existir com o fim do primeiro programa. Não seria um parceiro de menor dimensão, tendo em conta o relevante complexo militar-industrial indiano e a sua necessidade considerável de incorporar aeronaves de combate, quer para renovar as frotas actuais, quer para alcançar os números que as autoridades militares têm vindo a exigir nos últimos anos. Ainda assim, é de notar que Nova Deli mantém laços estreitos com a França no sector da defesa, em especial com a Dassault, fabricante dos caças Rafale operados pelo país.

O que ganha a Alemanha e os desafios de integração industrial

Do ponto de vista do governo alemão, aderir ao GCAP significaria a oportunidade de participar num projecto entendido como mais avançado do que o FCAS, embora isso implique desafios relevantes nas fases iniciais. Em particular, ficaria por esclarecer de que forma se integraria o grande complexo industrial alemão nos entendimentos já alcançados por Itália, Reino Unido e Japão, num quadro em que o Reino Unido aparenta não estar disposto a abdicar do papel predominante da BAE Systems no desenvolvimento.

Entre alternativas possíveis para Berlim contam-se, também, uma nova associação com a sueca Saab - com experiência na produção do Gripen -, bem como uma aproximação a Espanha com vista a impulsionar um caça no âmbito do consórcio Airbus.

No caso deste último parceiro do programa FCAS que acabou por falhar, vale referir que representantes da Airbus Defence and Space, GMV, Grupo Oesia, Indra Group, ITP Aero e Sener assinaram recentemente um documento que traduz o compromisso com o Ministério da Defesa para explorar a continuidade ou evolução do projecto de defesa aérea, o que, na prática, abre portas à integração em outros programas. O tema não é menor, considerando que Madrid poderia aportar capacidades relevantes para desenvolver o componente tecnológico e de comunicações de um futuro caça - a função que, originalmente, desempenharia no FCAS.

Contexto: F-35 da Luftwaffe e a renovação das frotas europeias

Por fim, importa sublinhar que, enquanto Itália procura atrair a Alemanha para o GCAP, a Luftwaffe aguarda a entrega da sua frota de 35 novos caças furtivos F-35 de origem norte-americana. Trata-se da plataforma seleccionada para substituir os Panavia Tornado e, ao mesmo tempo, para acompanhar o ritmo de outros parceiros europeus que já incorporaram o projecto da Lockheed Martin nos seus inventários.

Espanha é a excepção mais evidente, embora a retirada dos seus Harrier obsoletos pareça cada vez mais próxima. Em paralelo, o desenvolvimento de um futuro caça de sexta geração deverá demorar pelo menos mais uma década, deixando o país numa posição particularmente complexa para assegurar a necessária renovação da sua aviação de combate.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

Também poderá interessar-lhe: F-35B italianos realizam operações nocturnas de reabastecimento rápido em treino alinhado ao conceito ACE da OTAN

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário