Com a meta de atingir a neutralidade carbónica em 2050, o Grupo Volkswagen decidiu atuar sobre uma parte menos visível da sua pegada ambiental: as emissões geradas pelos navios encarregues de transportar os seus automóveis.
Estratégia do Grupo Volkswagen para descarbonizar o transporte marítimo
Depois de já ter colocado em operação, nas rotas transatlânticas, os navios Confucius e Aristotle (movidos a gás natural), o Grupo Volkswagen prepara agora uma mudança no combustível utilizado pelos navios que asseguram a rota europeia.
MR1-100 e a GoodFuels
O combustível selecionado é o MR1-100 - sendo que o “100” corresponde à percentagem de matérias-primas renováveis usadas no seu fabrico, isto é, trata-se de um combustível 100% renovável. A produção está a cargo da empresa holandesa GoodFuels.
Feito exclusivamente a partir de óleos e gorduras alimentares provenientes da indústria alimentar, este biocombustível tem ainda a vantagem de poder ser aplicado sem necessidade de qualquer alteração mecânica nos navios.
Uma redução considerável
Segundo os cálculos do Grupo Volkswagen, o uso deste biocombustível em dois navios ao serviço das rotas europeias permitirá uma redução das emissões na casa das 52 mil toneladas de CO_2/ano, o que equivale a 85%.
Para além do corte nas emissões de CO_2, o MR1-100 permite também eliminar as emissões de óxido de enxofre, um poluente que, em zonas costeiras, já não pode ultrapassar 0,1%.
Os navios
Com 180 metros de comprimento e capacidade para transportar 3500 carros, os dois navios que irão passar a consumir MR1-100 utilizam motores MAN com 19 334 cv (14 220 kW). Pertencem à empresa F. Laeisz, de Hamburgo, e operam numa rota circular dentro da Europa.
Esse percurso leva-os de Emden, na Alemanha, até Dublin, na Irlanda, seguindo depois para Santander, em Espanha, e daí para Setúbal. Em cada ano, estes navios transportam cerca de 250 mil automóveis das marcas do Grupo Volkswagen.
Sobre a adoção do biocombustível, Thomas Zernechel, Chefe da Logística do Grupo Volkswagen, afirmou: “Somos o primeiro construtor a usar este combustível em larga escala. Desta forma, estamos a dar um uso amigo do ambiente aos óleos antigos”.
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