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Mais alunos portugueses nas escolas internacionais do Porto: CLIP e Oporto British School

Três crianças em uniforme escolar conversam e seguram livros no pátio da escola com professores ao fundo.

O número de alunos portugueses a estudar em escolas internacionais continua a aumentar. No distrito do Porto existem cinco estabelecimentos com este tipo de currículo e, tanto no CLIP como na Oporto British School (OBS), observa-se um equilíbrio entre estudantes estrangeiros e nacionais. Direções, pais e alunos apontam duas vantagens claras desta opção: o ambiente multicultural e a flexibilidade curricular, vistos como uma mais-valia quando chegar a altura de deixar os livros e encarar o futuro.

Numa visita às instalações do CLIP, no Porto, percebe-se depressa que o inglês domina as conversas - é a língua mais usada nas aulas e também no recreio. Isabel Morgado, diretora da escola, considera que um dos traços que distingue as escolas com currículo internacional é a capacidade de criar um ambiente familiar dentro da comunidade escolar. Mesmo orientando 1220 alunos, diz orgulhar-se de "conhecer as caras quase todas".

"Gentileza, respeito e inclusão"

"Temos três valores na escola que são fundamentais: gentileza, respeito e inclusão. Esta é a base de tudo o que fazemos e tentamos sempre que os alunos cresçam com esta noção de que somos uma comunidade muito diversa", explicou a diretora - uma ideia que ganha particular peso num universo onde coexistem 56 nacionalidades entre os alunos.

Sobre as razões que levam mais portugueses a escolherem estas escolas, a perspetiva é a de que o investimento poderá trazer retorno mais tarde. No CLIP, o currículo seguido é o de Cambridge, com Matemática, Ciência, Inglês e Humanidades entre as disciplinas essenciais. A autonomia face ao modelo mais tradicional das escolas portuguesas é apresentada como um fator que prepara os alunos para, no futuro, se candidatarem a universidades em Portugal e, em simultâneo, concorrerem a instituições no estrangeiro, alargando de forma significativa as opções.

A poucos minutos do CLIP fica a OBS, também na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. A lógica repete-se: as 30 nacionalidades entre cerca de 570 alunos são motivo de satisfação para o diretor, Nick Sellers, que vê estas escolas como um contributo, ainda que pequeno, para a integração de imigrantes que escolhem Portugal para viver.

"Quem vem do estrangeiro não quer estar numa escola onde o foco é todo no inglês e no ensino internacional. Querem que os filhos - e os filhos também querem - conheçam famílias portuguesas, de modo a que consigam integrar-se nesta comunidade", defende Nick Sellers.

Apesar de ambos os diretores sublinharem os benefícios da multiculturalidade para quem vive o dia a dia escolar, reconhecem também que esta diversidade traz desafios - há situações em que é preciso sensibilidade para gerir contextos distintos.

Gerir a atualidade

Isabel Morgado explicou ao JN que esta gestão nem sempre é simples, sobretudo quando a atualidade é marcada por tensões internacionais. "Em momentos de conflito há uma preocupação em explicar o que se está a viver, temos até uma disciplina intitulada "eventos atuais" onde abordamos esses temas. Tudo é falado, sendo estipulado que na escola não tomamos partido", assinalou.

Na perspetiva da diretora do CLIP, o crescimento de alunos a optar por este percurso é um fenómeno real e poderá estar ligado ao aumento da imigração em Portugal. Já Nick Sellers antecipa que o número de escolas internacionais no Grande Porto tende a crescer, até porque "há grupos económicos internacionais à procura de oportunidades de investimento".

Pais à procura das melhores condições de ensino

No momento de decidir a escola dos filhos, muitos pais procuram condições que consideram mais favoráveis à aprendizagem. Foi isso que Helena Vilaverde e Lenka Farinha identificaram no CLIP, mostrando-se satisfeitas com as possibilidades que esta via poderá abrir.

"Tenho uma criança no 1.º ano e outra no 5.º ano e, apesar de ser portuguesa, posso ter de viver fora do país por causa do trabalho. Nesse sentido, sinto que o ensino internacional dá uma abertura para o Mundo que permite que os meus filhos se sintam confortáveis caso isso aconteça", contou Helena Vilaverde, apontando ainda o ensino de "soft skills" como outra vantagem associada às escolas internacionais.

A mesma visão é partilhada por Lenka Farinha, presidente da Associação de Pais e mãe de três alunos no CLIP. Para além dessa abertura para o Mundo, realça também o peso de uma integração consistente na cultura portuguesa, mesmo quando em casa se fala "em várias línguas".

"Eles precisam de aprender línguas como o inglês e o alemão, mas se estamos em Portugal também têm que saber falar o português, até para conseguirem comunicar quando vão ao médico, ao supermercado ou a qualquer outra atividade", considera Lenka Farinha.

Quanto às mais-valias destas escolas, as duas mães coincidem na ideia de que a multiculturalidade facilita a integração - não apenas das crianças, mas também das famílias. "O facto de estarem inscritos nas atividades extracurriculares faz com que a escola não acabe às 16 horas. E acabamos por fazer amizade com os outros pais".

Qualidades

Plasticidade
No CLIP, existe a possibilidade de os alunos mudarem de turma consoante o seu nível de aprendizagem, permitindo um trabalho mais direcionado nas matérias em que sentem maiores dificuldades.

Currículo
Os alunos têm acesso a uma ampla oferta de atividades extracurriculares, que vai de modalidades desportivas (futebol, basquetebol, natação, etc.) a simulações de debates nas Nações Unidas e literacia financeira.

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