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Israel, Gaza e Cisjordânia: a impunidade exposta

Mulher com colete de observadora segura prancheta com símbolo da justiça, com militares e grafitis ao fundo.

Denúncias internacionais sobre Israel em Gaza e na Cisjordânia

ONU, UE, Human Rights Watch, Amnistia Internacional, Médicos sem Fronteiras, Oxfam, B'Tselem, Associação Internacional de Académicos sobre Genocídio, Tribunal Penal Internacional: eis uma amostra - ainda assim curta - de entidades que têm vindo a expor a indecência da actuação do Estado de Israel em Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Violência de colonos e cumplicidade militar em Jerusalém

Dia após dia, acumulam-se imagens e testemunhos de agressões de colonos contra palestinianos, perante uma presença militar que se mantém impávida, serena e cúmplice. No Dia de Jerusalém, um conjunto de radicais encenou uma verdadeira caça a palestinianos nas ruas da Cidade Velha, enquanto gritava "morte aos palestinianos" - um quadro que levou a cronista Hanin Majadli, do jornal israelita "Haaretz", a recordar a infame "Noite de Cristal", quando judeus foram perseguidos na Alemanha nazi.

Há semanas, Jorge Moreira da Silva relatou ao "Público" o que presenciou em Gaza e deixou o aviso: "Vamos ser todos julgados por aquilo que fizemos ou não fizemos em Gaza. Não há jornalistas, os que havia tiveram de sair ou foram mortos." E, há poucos dias, especialistas da ONU voltaram a frisar que "a inação da comunidade internacional permite a impunidade total".

Flotilha, Ben-Gvir e a persistência da impunidade

Apesar disso, o que aconteceu em Jerusalém depressa saiu do foco, engolido pela divulgação - feita com orgulho - dos maus-tratos infligidos aos activistas da flotilha raptados em águas internacionais. O episódio foi de tal modo grave que até o habitualmente tímido ministro dos Negócios Estrangeiros português se viu forçado a censurar o ministro Ben-Gvir, qualificando o seu comportamento de intolerável.

Ainda assim, a crítica ficou circunscrita ao ministro, porque, "aqui-d'el-rei", basta apontar responsabilidades a Israel. O descaramento foi tanto que Netanyahu - "farol dos direitos humanos" - sentiu necessidade de repudiar as imagens. É tempo de bater com o punho na mesa e pôr fim à impunidade de um Estado que, abrigando-se no terror imposto a um povo, continua a matar e a torturar sem consequências.

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