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A festa vibrante dos tubarões azuis de Cabo Verde em Fort Lauderdale, Miami, no Mundial

Grupo de jovens com camisolas azuis a tocar tambores e a acenar bandeiras de Cabo Verde numa rua molhada.

Fort Lauderdale pinta-se de Cabo Verde

São duas da tarde e um dos parques mais conhecidos de Fort Lauderdale, em Miami, na Florida, começa a encher-se de cabo-verdianos. O crioulo ecoa, dito com entusiasmo, por todos os cantos; a música típica vai subindo de volume e, pouco a pouco, multiplicam-se as bandeiras azuis, brancas e vermelhas a aparecer naquele pedaço de verde. De um lado, crianças vão trocando pontapés numa bola; numa das várias bancas montadas, duas senhoras vendem embalagens de cachupa; noutra, alinham-se t-shirts, cachecóis e chapéus de Cabo Verde. É o arraial barulhento e bem-disposto dos tubarões azuis.

Mundial discreto nos EUA, mas Miami vibra com os tubarões azuis

Nos Estados Unidos, o Campeonato do Mundo não se sente com grande exuberância - bem pelo contrário. Tudo parece longínquo e os norte-americanos não ligam muito ao futebol. Mas, quando as comunidades africanas se juntam para celebrar a magia do desporto-rei, as ruas de Miami ganham outra energia.

Cabo Verde está prestes a entrar em campo para o segundo jogo da fase de grupos, frente ao Uruguai, e os adeptos montam um verdadeiro arraial feito de união e harmonia. E acredito que a cor e a boa disposição seriam as mesmas mesmo que os tubarões azuis não tivessem empatado com a Espanha - um resultado que só fez crescer a esperança no apuramento, mas que não mudou a forma como esta gente vive o momento: carregada de alegria e feliz com esta estreia em mundiais.

Pelo meio, um cântico destaca-se acima dos restantes: "Vozinha, Vozinha, Vozinha!". Ainda assim, poucos vestem a camisola do guarda-redes - dizem que já esgotou, o que se entende depois de o experiente jogador se ter tornado um fenómeno de popularidade e ter somado milhões de seguidores nas redes sociais.

Uma tempestade inesperada e a festa que não parou

O calor aperta e acompanha o calor humano que se sente ali, intensificado pelo ritmo acelerado da música e pela dança africana, até que aparece um convidado inesperado. Cai uma chuva torrencial sobre a festa cabo-verdiana, o céu ilumina-se com alguns relâmpagos e, de repente, levanta-se vento.

Terão recolhido os sinais de festa e procurado abrigo? Nem pensar: a celebração continua. A música não pára, as crianças continuam a jogar debaixo de água e a tempestade parece não tocar no sorriso de nenhum deles. Que energia fantástica!

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