Deslocações para a Suíça e mediação internacional
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão viajou este sábado para a Suíça, onde estão previstas "conversações técnicas" com os Estados Unidos, segundo anunciou o Governo iraniano.
Também o vice-presidente norte-americano afirmou que, "nos próximos dias", se deslocará ao país europeu para negociações técnicas com a parte iraniana.
Na qualidade de mediador entre Teerão e Washington, o Paquistão confirmou que as discussões técnicas entre os EUA e o Irão terão lugar no domingo, na Suíça.
Os meios de comunicação estatais iranianos adiantaram ainda que os negociadores iranianos já partiram do país em direção à Suíça.
O que Teerão diz querer esclarecer nas conversações
"Na Suíça, estão planeadas conversações para exigir o cumprimento dos compromissos da outra parte e clarificar como pretende cumprir as suas obrigações", declarou à televisão estatal o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, sobre a deslocação do ministro Abbas Araghchi, que segue acompanhado pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Baghaei acrescentou que estes contactos decorrerão na presença de representantes do Paquistão e do Qatar, os dois países mediadores.
O porta-voz rejeitou que, durante esta visita, as partes iniciem negociações com vista a um acordo final. Sustentou que essas conversas só poderão começar quando forem cumpridos os compromissos inscritos no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelos presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Irão, Masoud Pezeshkian - em particular o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
"A primeira cláusula é a mais importante do memorando de entendimento e o outro lado não cumpriu o compromisso de forçar o regime sionista (Israel) a cessar os ataques ao Líbano", afirmou.
Baghaei advertiu que o memorando deve ser entendido como um todo indivisível e que qualquer falha no seu cumprimento por uma das partes pode pôr em causa todo o processo, apelando aos EUA para que adotem "o mais rapidamente possível" as medidas necessárias para concretizar o pacto.
Reforçou igualmente que a orientação do Irão assenta no princípio de "compromisso por compromisso" e garantiu que a República Islâmica não poupará esforços para aplicar o memorando alcançado após semanas de negociações e de mediação internacional.
"Não assinámos nenhum acordo para que este não seja cumprido", declarou, avisando que o Irão tomará as medidas necessárias caso a outra parte recuse cumprir as suas obrigações.
Estreito de Ormuz: resposta iraniana e avisos à navegação
Pouco antes, as Forças Armadas iranianas também denunciaram a violação do acordo provisório de paz, na sequência de ataques israelitas ao território do sul do Líbano, e anunciaram o encerramento do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo como primeira resposta.
Os Guardas Revolucionários iranianos emitiram igualmente um aviso aos navios para evitarem aproximar-se do estreito de Ormuz, pois "caso contrário, a sua segurança estaria em risco".
Posição de Washington, equipa em campo e calendário do dossiê nuclear
Do lado norte-americano, o vice-presidente dos EUA disse esperar partir "nos próximos dias" para a Suíça.
"É sempre um delicado bailado de coordenação e protocolos diplomáticos", afirmou JD Vance à estação norte-americana Fox News, antes de o Irão anunciar que ia fechar o estreito de Ormuz em resposta aos ataques de Israel ao Líbano.
Segundo JD Vance, os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano, Donald Trump, já se encontram na Suíça "há algumas horas" para "gerir alguns dos elementos técnicos desta negociação".
Na entrevista à Fox, o vice-presidente indicou que mais de 16 milhões de barris de petróleo saíram do estreito de Ormuz na sexta-feira, "um recorde" face ao período anterior ao início do conflito.
De acordo com as forças norte-americanas, 17 milhões de barris transitaram hoje por aquela passagem estratégica.
JD Vance voltou a defender a necessidade de controlar as existências de urânio enriquecido do Irão, um pedido que Trump colocou explicitamente para as conversações que deverão culminar num acordo nuclear final até 19 de agosto.
O memorando de entendimento alcançado esta semana por Teerão e Washington prevê o arranque de negociações de 60 dias para chegar a um acordo final, centrado no programa nuclear do Irão.
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