Conferência no Porto sobre a adesão às Comunidades Europeias
O Presidente da República, António José Seguro, sustentou esta terça-feira que Portugal precisa de ter "uma voz mais ativa" na União Europeia, argumentando que o país tem muito para dar.
A intervenção foi feita no fecho de uma conferência evocativa da adesão de Portugal às Comunidades Europeias, realizada na Universidade Católica Portuguesa, no Porto. Aí, Seguro defendeu a necessidade de uma política europeia coerente e de manter, a nível interno, o consenso em torno da pertença à União Europeia.
Política europeia de Portugal e a ambição em Bruxelas
Segundo o chefe de Estado, o país deve "centrar a diplomacia e a política externa num projeto ambicioso que permita ser uma voz cada vez mais relevante em Bruxelas [Bélgica]", sublinhando uma orientação estratégica para reforçar o peso português nas instituições europeias.
Acrescentou ainda que Portugal tende a reconhecer menos valor ao que pode oferecer à Europa do que aquele que, na prática, possui. "A política europeia começa em casa e com uma estratégia clara sobre o nosso papel na União Europeia", afirmou.
Portugal como ponte para Brasil, África e América Latina
Num contexto em que a Europa precisa de alargar parcerias e expandir a sua capacidade de influência, Seguro defendeu que Portugal não deve ser visto como periferia, mas como ligação. "Somos a porta ibérica de entrada para uma relação mais profunda com o Brasil, com a África e com a América Latina", declarou.
Desafios comuns e regras de decisão na União Europeia
Para Seguro, Portugal e a Europa enfrentam, em certa medida, desafios semelhantes. "Ou a Europa escolhe ser o sujeito da história ou resigna-se a ser objeto da escolha dos outros. No que se refere a Portugal, estou certo de que escolheu ser sujeito e estou certo que essa continuará a ser a vontade da larga maioria dos portugueses", salientou.
O Presidente da República deixou também um aviso: "a Europa que hesita é a Europa que perde e é a Europa que fica para trás". E terminou com uma crítica à exigência de unanimidade em áreas-chave: "A regra da unanimidade em domínios estratégicos é um luxo que não podemos continuar a pagar".
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