Saída de Julie Davis de Kiev
A embaixadora interina dos Estados Unidos na Ucrânia deverá abandonar Kiev nas próximas semanas, segundo avançaram esta quarta-feira ao jornal britânico “Financial Times” pessoas com conhecimento do processo. Classificado como um “cargo diplomático crucial”, o lugar ficará por ocupar numa altura em que se antecipa que a Rússia prepare uma ofensiva de verão e em que as negociações de paz continuam bloqueadas.
Divergências com Donald Trump e decisão de se reformar
De acordo com o “Financial Times”, Julie Davis assumiu em maio de 2025 as funções de encarregada de negócios interina na embaixada dos EUA em Kiev. Ainda segundo o jornal, ”estava frustrada com sua função devido a divergências com o presidente Donald Trump sobre o apoio cada vez menor deste à Ucrânia".
A sua antecessora, Bridget Brink, terá igualmente apresentado a demissão por motivos semelhantes, em abril do ano passado. Já Julie Davis, acrescenta o “Financial Times”, terá informado o Departamento de Estado norte-americano nas últimas semanas de que tencionava sair, indicando também que planeava reformar-se do serviço diplomático e pôr termo a uma carreira de três décadas, de acordo com fontes citadas sob anonimato.
Contexto na diplomacia dos EUA e lugares por preencher
Neste momento, apenas 8% dos nomeados pelo Presidente norte-americano para embaixadores são diplomatas de carreira, segundo um levantamento da Associação Americana do Serviço Exterior - um recuo face aos 57% registados durante o seu primeiro mandato. Em paralelo, dezenas de embaixadas dos EUA pelo mundo fora permanecem sem um embaixador confirmado pelo Senado, incluindo a maioria dos postos de representação no Médio Oriente e na Ucrânia.
O “Financial Times” escreve ainda que “durante o segundo mandato de Trump, a Casa Branca relegou o Departamento de Estado para segundo plano”, sustentando que o Presidente preferiu enviar “um pequeno grupo de aliados, nomeadamente o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, para perseguir os seus objetivos mais ambiciosos de política externa, incluindo a negociação para o fim da guerra na Ucrânia”.
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