A decisão da Toyota de iniciar a produção do GR Corolla no Reino Unido pode acabar por criar um efeito secundário indesejado para os construtores com fábricas britânicas que exportam para os EUA. A origem do potencial problema está no desenho do acordo comercial entre Londres e Washington - e, sobretudo, na quota anual que o condiciona.
Após o regresso de Donald Trump à Casa Branca e a aplicação de tarifas de importação a vários mercados, incluindo o britânico, os dois países alcançaram um entendimento em maio do ano passado que baixou as tarifas de 27,5% para 10%.
O acordo comercial Londres–Washington e a quota dos 100 mil veículos
A descida é relevante, mas vem acompanhada de uma condição que agora pode tornar-se um entrave: a taxa de 10% só é válida dentro de uma quota anual de 100 mil veículos. Ultrapassado esse teto, todas as exportações voltam a ser tributadas a 27,5%, somando ainda 2,5% de tarifa base.
Onde entra a Toyota?
De acordo com dados da Automotive News Europe, no ano passado a Aston Martin, Bentley, JLR, Lotus, McLaren, MINI e Rolls-Royce enviaram, em conjunto, 97 mil unidades para os EUA. Isto deixou o total a apenas três mil veículos do limite previsto no acordo, uma folga reduzida para acomodar a entrada de mais modelos destinados ao mercado norte-americano.
Produção do GR Corolla no Reino Unido e exportação para os EUA
É neste ponto que a Toyota passa a ser relevante. O construtor japonês planeia produzir o GR Corolla no Reino Unido - onde já fabrica outras versões do Corolla - e encaminhar esse modelo para os EUA. Não está prevista a sua venda no mercado europeu.
Atualmente, o GR Corolla é fabricado no Japão, com cerca de 8000 unidades destinadas aos EUA, mas esse volume não chega para responder à procura. A meta passa por elevar a produção para 10 mil unidades por ano.
Impacto potencial nas tarifas para construtores britânicos
Se a unidade britânica ficar encarregue da maior fatia desse volume, a quota anual de 100 mil veículos com tarifa reduzida pode ser ultrapassada com facilidade. Caso isso aconteça, o aumento de custos não afetaria apenas a Toyota: todos os construtores britânicos que exportam para os EUA teriam de absorver a tarifa adicional, reduzindo o lucro por cada unidade enviada.
Há, no entanto, um elemento que pode suavizar este impacto: manter na fábrica japonesa a responsabilidade de exportar a maioria das unidades destinadas ao mercado norte-americano. A Toyota não avançou qualquer estimativa sobre quantos GR Corolla pretende produzir por ano em solo britânico.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário