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Martim Sousa Tavares e “Amanhã à Mesma Hora: Dez lições sobre o trabalho em equipa”

Maestro a reger uma pequena orquestra de cordas numa sala iluminada por luz natural.

Martim Sousa Tavares habituou-se cedo a contextos em que o erro não se esconde: acontece ao vivo, à frente de centenas de pessoas, e expõe de imediato se a equipa está ou não alinhada. Com formação em direção de orquestra e uma vocação clara para comunicar, tem dividido o seu percurso entre salas de concerto, projetos culturais e uma observação contínua de como os grupos funcionam - ou falham - em conjunto, tema que coloca no centro do que faz.

Martim Sousa Tavares e “Amanhã à Mesma Hora” no trabalho em equipa

No livro que acaba de publicar - “Amanhã à Mesma Hora: Dez lições sobre o trabalho em equipa” -, o maestro pega na realidade de uma orquestra como metáfora para o universo empresarial e questiona ideias instaladas sobre liderança. Sustenta que o talento, por si só, não garante resultados, que a microgestão corrói o desempenho e que a obsessão pelo controlo costuma denunciar, afinal, falta de confiança de quem lidera. “O melhor e o pior de qualquer orquestra são as pessoas”, sublinha Martim Sousa Tavares. A partir daí, desenvolve temas como ego, responsabilidade, gestão do erro, empatia e cultura de equipa, defendendo que uma orquestra pode ensinar tanto sobre liderança quanto uma sala de reuniões.

“Se eu quiser ter 100% de controlo, estou a agir totalmente desprovido de confiança”, diz Martim Sousa Tavares

Para o maestro, nem o prestígio de uma orquestra (ou de uma organização), nem os meios disponíveis, nem a excelência técnica conseguem substituir uma equipa coesa. Equipas partidas, ambientes tóxicos ou lideranças incapazes de gerar confiança anulam qualquer vantagem. “Se tenho as pessoas certas, faço uma equipa. Se não as tenho, pode ser a orquestra mais prestigian­te do mundo mas nunca vai dar o melhor concerto”, diz.

Que batalhas perder?

Martim Sousa Tavares recusa a narrativa romantizada das lideranças autoritárias e insiste que liderar é, sobretudo, criar condições para que os outros consigam entregar o seu melhor trabalho. “O terror é uma forma de exigência para atingir a excelência, mas é preciso perceber a que preço. Basta olhar para a Nadia Comaneci e para o que foi a vida dela, uma vida destruída pelo sofrimento”, exemplifica Martim Sousa Tavares. E acrescenta: “Para um maestro ou qualquer líder, mais importante do que saber as batalhas que está disposto a travar é perceber quais está disposto a perder, porque se quiser ganhar a 100% será um massacre para a equipa, e isso é absurdo.”

Confiança, autonomia e o risco da microgestão

Na sua perspetiva, liderança não se confunde com controlo total. “Se eu quiser ter 100% de controlo, estou a agir totalmente desprovido de confiança”, argumenta. Num tempo em que a microgestão continua a infiltrar-se em muitas empresas, defende a lógica inversa: dar autonomia, exigir responsabilidade e permitir intenção própria. “Pôr as mãos nos bolsos é o sinal mais claro que um maestro pode transmitir de confiança na sua orquestra.”

“O CEO É o Limite” é o podcast de liderança e carreiras do Expresso onde, todas as semanas, damos a conhecer quem são e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses

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