Num terreno agrícola no departamento de Oise, cerca de 3.000 galinhas poedeiras “reformadas” não vão parar às prateleiras refrigeradas: a ideia é que acabem em quintais e jardins. Famílias, jardineiros amadores e amantes de animais podem acolhê-las, dar-lhes uma vida mais tranquila - e, em troca, continuar a receber ovos, ainda que já não todos os dias.
Em que consiste a ação de adoção de galinhas em Oise
Todos os anos, as explorações de produção de ovos retiram de circulação milhões de galinhas. Ao fim de um a dois anos, a produtividade baixa: põem menos ovos e, na lógica industrial, são substituídas. Para as aves, o desfecho habitual é o transporte e o abate.
Uma quinta em Mory-Moncrux, na região de Hauts-de-France, decidiu seguir uma alternativa. Está a disponibilizar para adoção perto de 3.000 destas galinhas poedeiras. Em vez de serem consideradas “já não rentáveis”, o objetivo é que continuem a viver em jardins privados.
As galinhas já passaram a fase de alta produção, mas ainda podem viver vários anos e pôr ovos com regularidade.
Quem quiser adotar deve levantar os animais diretamente na quinta. É possível levar uma única galinha ou pequenos grupos - consoante o espaço disponível, o tempo e o orçamento.
Porque é que as galinhas poedeiras são descartadas tão cedo
Em aviários industriais, o que pesa é, sobretudo, a quantidade de ovos por galinha e por ano. As aves mais novas põem quase diariamente; as mais velhas tornam-se menos regulares. Em muitas explorações, por volta dos 18 a 24 meses já são vistas como “gastadas”.
A partir daí, do ponto de vista do produtor, a ração e o espaço no pavilhão deixam de compensar. Para manter estável o volume de ovos, entram novas frangas. As mais velhas, regra geral, seguem para o matadouro.
É precisamente aqui que entram quintas e associações de proteção animal que promovem ações deste tipo. Retiram uma parte das aves do circuito e encaminham-nas para particulares. As galinhas passam a ter um quotidiano menos stressante; as pessoas ganham alguns ovos extra e companhia viva no jardim.
Durante quanto tempo as galinhas “reformadas” ainda põem
Muita gente subestima a resistência destes animais. Embora já não atinjam os números exigidos em ambiente industrial, muitas mantêm uma saúde de base estável. Num jardim, com mais espaço e menos pressão, várias galinhas recuperam de forma visível.
- As aves podem viver ainda vários anos, muitas vezes três a cinco anos no total.
- Continuam a pôr ovos, mas com menos regularidade - por vezes vários por semana, depois com pausas.
- Em contexto doméstico, a prioridade passa a ser a relação com o animal, não a contagem máxima de ovos.
Para muitas famílias, este formato tem um valor especial: as crianças percebem de onde vêm os ovos, vêem o animal - e não apenas a embalagem do supermercado.
O que futuros criadores de galinhas devem esclarecer antes
Uma galinha não é um adorno passageiro para o jardim. Quem leva um animal da quinta assume um compromisso de cuidados durante anos. As exigências de base não são complicadas, mas são obrigatórias.
Equipamento essencial para uma vida adequada das galinhas
- Espaço exterior protegido: um jardim vedado ou um parqueamento robusto para evitar que os animais vão para a estrada.
- Abrigo noturno: um galinheiro seguro protege de raposas, martas e aves de rapina.
- Alimentação adequada: mistura de grãos ou ração para galinhas poedeiras, complementada com verduras, restos de cozinha e água fresca.
- Higiene: trocar a cama com regularidade, limpar comedouros e bebedouros e remover dejetos.
Há ainda um ponto que muitos só consideram mais tarde: nas férias, as galinhas continuam a precisar de cuidados. Ou os responsáveis ficam por perto, ou vizinhos e amigos asseguram a verificação do galinheiro e a alimentação.
Custos reduzidos, impacto grande
A quinta na zona de Oise costuma pedir apenas um contributo pequeno pela entrega. Esse valor ajuda a pagar transporte, organização e cuidados básicos até ao momento da adoção. Em comparação com a compra de galinhas jovens em lojas especializadas, o montante fica muitas vezes bastante mais baixo.
Com um contributo acessível, os amantes de animais salvam um ser vivo do matadouro e, ao mesmo tempo, aliviam os agricultores.
A isto somam-se custos contínuos com ração, cama e, ocasionalmente, veterinário. Em contrapartida, há ovos de produção própria - e a sensação de ter retirado um animal do sistema de produção em massa.
Como animais de produção se tornam “animais de companhia com ovos”
Quem nunca teve galinhas costuma ficar surpreendido com as diferenças de temperamento. Algumas são tímidas; outras seguem as pessoas com curiosidade. Há aves que aceitam festinhas sem problema e outras que preferem manter distância.
Com algum tempo, os responsáveis começam a reconhecer rotinas e “personalidades”: quem ocupa sempre o mesmo poleiro, qual a galinha que reclama mais alto quando a comida se atrasa, e assim por diante. Surgem ligações que lembram mais cães ou gatos do que um grupo anónimo num pavilhão.
Para as crianças, conviver com galinhas é frequentemente uma porta de entrada para um contacto mais respeitoso com os animais. Recolhem os ovos, ajudam a colocar a cama e aprendem que um ser vivo tem necessidades - e não “funciona como uma máquina”.
Vantagens e riscos da criação de galinhas em casa
Adotar pode salvar um animal, mas também traz responsabilidade e riscos. Quem decide por impulso pode arrepender-se - e, no pior cenário, são as galinhas que acabam por sofrer.
- Ruído: as galinhas cacarejam, sobretudo depois de pôr. Em zonas muito urbanizadas, isto pode gerar conflitos.
- Sujidade: remexem canteiros, deixam dejetos e escavam relva. Um relvado perfeito pode transformar-se num parque de brincadeiras.
- Saúde: parasitas, diarreia ou feridas podem surgir. Quem reage cedo e pede aconselhamento consegue tratar muita coisa.
- Regras legais: em alguns municípios, os detentores têm de declarar os animais; em casos muito raros, existem limitações.
Ao mesmo tempo, os benefícios são claros: menos desperdício de restos de cozinha, fertilização natural do jardim e um ciclo visível entre alimento e comida. Muitos proprietários dizem também que passaram a comprar de forma mais consciente desde que têm galinhas no quintal.
O que leitores na Alemanha podem retirar desta iniciativa
Iniciativas deste género não existem apenas em França. Também na Alemanha há projetos que encaminham regularmente galinhas poedeiras de grandes explorações para particulares. Quem tem jardim e pondera criar galinhas pode procurar especificamente animais “entregues” para adoção, em vez de comprar frangas a criadores.
Em zonas rurais, vale a pena estar atento a anúncios em cooperativas agrícolas (Raiffeisen), plataformas de classificados ou grupos locais de proteção animal. Muitas vezes, os agricultores aceitam ceder algumas galinhas a pessoas responsáveis quando percebem que elas vão ter uma vida boa.
Quem explora o tema encontra ainda alternativas interessantes: por exemplo, parcerias com vizinhos para dividir custos de ração e turnos de cuidados, ou pequenos galinheiros comunitários em prédios com jardins grandes. Assim, reparte-se o trabalho - e também os ovos.
A ação em Oise ilustra como a passagem da pura utilização para uma relação com mais responsabilidade pode ser pequena. Alguns metros quadrados, um galinheiro sólido e a vontade de cuidar diariamente bastam para dar a um animal uma vida consideravelmente mais longa e calma.
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