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Anitta regressa a Portugal a 18 de julho com Ensaios da Anitta - Cosmos no Passeio Marítimo de Algés

Artistas a dançar num palco ao ar livre com um enorme anel de galáxias e planetas ao fundo ao pôr do sol.

Anitta começou por afirmar-se no funk carioca e, a partir daí, foi alargando o seu território ao pop e aos ritmos latinos até chegar a um reconhecimento verdadeiramente global. Entre os marcos mais visíveis desse percurso estão "Envolver", que alcançou o n.º 1 no Spotify Global, e "Downtown", em parceria com J. Balvin. Com milhares de milhões de streams acumulados, é hoje um dos nomes mais influentes da música latina contemporânea. A 18 de julho, volta a Portugal para subir ao palco do Passeio Marítimo de Algés e apresentar "Ensaios da Anitta - Cosmos", um espetáculo inspirado no Carnaval brasileiro.

Esta é a primeira vez que leva os Ensaios da Anitta - Cosmos para fora do Brasil. Como se sente ao apresentar um conceito que já se tornou um fenómeno de massas no seu país para um público totalmente novo na Europa, e que tipo de reação espera dos fãs portugueses?

Sinto ao mesmo tempo aquela ansiedade boa e um sentido enorme de responsabilidade. Os Ensaios nasceram de um lugar muito íntimo e muito brasileiro; levá-los pela primeira vez para a Europa é quase como apresentar a minha família a alguém de quem se gosta muito. Queremos que resulte, que as pessoas percebam o que aquilo representa. Ainda assim, confio muito no público português - eles já me surpreenderam muitas vezes pela forma como se entregam. Acredito que vão entrar na energia logo desde o primeiro minuto.

O Passeio Marítimo de Algés foi escolhido para a estreia em Portugal. Quais foram os fatores determinantes na escolha deste espaço e de que forma ele permite realizar a visão que tem para o palco 360º e a proximidade com o público?

O local tinha de ter espaço para respirar. Os Ensaios não funcionam num sítio fechado, rígido, sem margem para o público participar. O conceito pede amplitude e pede que as pessoas façam parte do espetáculo - não apenas que estejam a assistir. O Passeio Marítimo de Algés tem essa energia de espaço aberto, junto ao Tejo, que encaixa muito bem com o que o Cosmos propõe. E um palco 360º só faz sentido quando o recinto permite que ele aconteça de forma real.

Que estratégias de coreografia, iluminação ou encenação preparou para que cada fã, independentemente da posição, se sinta no centro do espetáculo?

Foi um trabalho de produção gigantesco. A coreografia foi desenhada para que nenhum lado do palco fique “esquecido” ou para que estejamos de costas para alguém durante demasiado tempo. Rodamos, deslocamo-nos, e a iluminação foi pensada para envolver toda a área. Não existe um ângulo mau. E há momentos em que desço do palco, aproximo-me e interajo diretamente com quem está mais perto, porque para mim um bom concerto é aquele em que o fã sai a sentir que eu olhei só para ele.

Os Ensaios misturam pop, funk, axé e outros ritmos brasileiros. Como está a adaptar o repertório para o público português e quais músicas acha que vão ter mais impacto nesta estreia europeia?

Portugal sempre cantou as minhas músicas comigo, por isso nem foi preciso alterar grande coisa - o que, sinceramente, me surpreende e me deixa muito orgulhosa. Ainda assim, há uma curadoria pensada para este público em particular. As faixas com maior tração internacional e as que ganharam força na Europa acabam por ter mais espaço no alinhamento. E o funk, que muita gente jurava que não ia pegar fora do Brasil, eu sempre achei que ia funcionar - e funcionou. Portugal entende funk.

Os Ensaios têm forte inspiração no espírito do Carnaval brasileiro. Quais foram os maiores desafios em traduzir essa energia e essa festa para um contexto europeu, mantendo a autenticidade e o entusiasmo do evento original?

O maior desafio foi não tirar a alma ao projeto na tentativa de o “europeizar”. Os Ensaios nasceram precisamente dessa vontade: eu queria testar o meu setlist para o Carnaval, adaptar as músicas ao ritmo carnavalesco, tudo ao vivo. Depois foi crescendo, transformou-se num festival e foi ocupando capitais brasileiras. Mas a essência manteve-se: é Carnaval de verdade, com toda a energia e a liberdade que isso implica. Não dá para fingir, nem dá para “embalar” isso de forma artificial. Trouxemos exatamente como é e confiamos que o público vai sentir.

O tema do espetáculo, Cosmos, premeia a estética visual, mas também influencia a música e a coreografia. Pode dar alguns exemplos de como este conceito foi incorporado nos diferentes elementos do show?

Cada edição dos Ensaios tem um tema, e esse tema acompanha-nos até ao fim do Carnaval. O Cosmos fazia todo o sentido com aquilo em que acredito e com elementos que me representam, por isso foi uma escolha natural. E aparece em tudo: na identidade visual dos concertos, nas redes sociais, em todos os materiais de divulgação, nas luzes, na sinalética, no merchandising. E, acima de tudo, nas fantasias - isso é um capítulo à parte. As fantasias do Cosmos foram criadas com muito cuidado; cada detalhe conversa com o universo, com o cosmos, com a ideia de existir algo maior do que nós. É uma experiência visual completa, desde o momento em que o fã entra até ao momento em que sai.

Durante o espetáculo, apresenta uma fusão de ritmos brasileiros e internacionais. Como faz para equilibrar diferentes sonoridades e criar uma experiência coesa para o público, sem perder a identidade de cada género musical?

Para mim, os ritmos são como ingredientes: dá para misturar, desde que se respeite o sabor de cada um. O funk não vira pop, o axé não vira reggaeton, mas podem coexistir e complementar-se. Nos Ensaios, tudo passa pelo filtro do Carnaval - todas as músicas são adaptadas para esse balanço e tocadas ao vivo. Isso cria uma coesão quase automática, porque o denominador comum é sempre a festa, o movimento e o corpo a responder à música.

Que surpresas ou momentos inéditos preparou especialmente para a estreia em Lisboa que não estiveram presentes nas edições brasileiras? Há alguma interação com o público que possa revelar?

Há coisas que não posso contar antes, senão perde a piada. Mas posso dizer que existe, pelo menos, um momento pensado especificamente para Lisboa, que não apareceu em nenhuma outra edição. É um presente para o público português.

Já atuou várias vezes em Portugal e sempre recebeu uma forte adesão de público. Que importância tem para si essa relação com os fãs portugueses e como sente a energia deles comparada à do público brasileiro?

Portugal foi um dos primeiros países fora do Brasil a acolher-me a sério. É um carinho diferente. O público português é muito apaixonado, mas também é exigente - e isso faz-me querer entregar sempre o melhor. A energia não é igual à do Brasil: no início é mais contida, mas quando rebenta, rebenta mesmo bonito. Aprendi a ler essa energia e a trabalhar com ela.

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