Saltar para o conteúdo

Bolívia: polícia e exército levantam bloqueios de estrada após estado de exceção de Rodrigo Paz

Mulher vestida com traje tradicional segura bandeira wiphala junto à estrada com polícia e veículo militar ao fundo.

A polícia e as Forças Armadas da Bolívia começaram, no sábado, a desmantelar os bloqueios de estrada que têm mantido o país paralisado há mais de seis semanas, poucas horas depois de entrar em vigor o estado de exceção decretado pelo Presidente Rodrigo Paz.

Estado de exceção de 90 dias e proibição de bloqueios de estrada

O regime de exceção, com uma duração prevista de 90 dias, permite que o exército preste apoio operacional à polícia e determina a proibição de bloqueios de estrada. Estas barreiras tinham sido instaladas por uma ampla coligação de sindicatos, organizações indígenas e produtores de coca, que contestam o executivo.

A decisão foi tomada após, na noite de sexta-feira, ter sido assinado um entendimento com a principal central sindical boliviana, que anunciou o fim das medidas de pressão. Ainda assim, outras estruturas avisaram que não irão abandonar o movimento de oposição ao Presidente.

Pouco tempo depois de firmado o acordo, Rodrigo Paz disse ter decretado o estado de exceção "depois de ter esgotado todas as vias de diálogo, celebrado acordos com aqueles cujas reivindicações eram legítimas e identificado aqueles que recorriam à violência para tentar desestabilizar a Bolívia".

Protestos iniciados pela COB e adesão de vários setores

No início de maio, a Central Operária Boliviana (COB) tinha dado início à mobilização contra a crise económica - descrita como a mais grave das últimas quatro décadas no país.

Com o passar dos dias, juntaram-se ao protesto camponeses, bem como trabalhadores de fábricas e do setor mineiro. Em conjunto, rejeitam o pacote de reformas do Presidente de centro-direita, que chegou ao poder em novembro, após duas décadas de governos socialistas.

Operações em El Alto e remoção de "bloqueios fantasmas"

Em El Alto, nas proximidades da capital, La Paz, no oeste do país, uma coluna de viaturas policiais, acompanhada por blindados do exército, avançou para reabrir vias e retirou obstáculos sem registar oposição.

O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, descreveu a ação como uma operação para eliminar "bloqueios fantasmas", formados por montes de terra e pedras. "Não houve qualquer tipo de resistência", afirmou.

As interrupções nas estradas provocaram falta de alimentos, medicamentos e combustível em várias cidades, com destaque para La Paz. No sábado à noite, contabilizavam-se 34 bloqueios, depois de o número ter ultrapassado a centena no ponto mais crítico da crise.

"Os irmãos indígenas sentiram-se traídos"

Nem todos os grupos mobilizados aceitaram o acordo celebrado com a COB. Entre os que recusaram estão, em particular, setores camponeses e os produtores de coca do Chapare, bastião do antigo Presidente Evo Morales (2006-2019), no centro do país.

"Os irmãos indígenas sentiram-se traídos" pela COB, disse à estação Unitel Antonio Mallku, dirigente de um dos principais sindicatos de camponeses.

Rodrigo Paz avisou que quem persistir nos bloqueios ou recorrer à violência ficará sujeito a "todo o rigor da lei" e sustentou o estado de exceção com a denúncia de uma "tentativa de golpe de Estado liderada pelo narcoterrorismo".

O governo boliviano acusa Evo Morales - que é alvo de um mandado de detenção num alegado caso de tráfico de menores, acusação que rejeita - de ter incentivado a contestação.

O líder indígena, antigo produtor de coca, permanece há dois anos refugiado no Chapare, onde é protegido pelos seus apoiantes.

Confrontado com a hipótese de uma intervenção das forças de segurança no Chapare, o ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, declarou: "Se for preciso entrar lá, entraremos".

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário