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Irão volta a fechar o estreito de Ormuz após ataques de Israel no Sul do Líbano

Navios de guerra e cargueiros em mar calmo ao pôr do sol, com dois aviões militares no céu.

O Comando Militar Central do Irão comunicou, no sábado, que voltou a encerrar o estreito de Ormuz como resposta aos ataques israelitas no Sul do Líbano, considerando-os uma violação do entendimento de Teerão com os Estados Unidos.

Fecho do estreito de Ormuz pelo Irão

Num comunicado transmitido pela televisão estatal, o Quartel-General Central Khatam-al Anbiya declarou: "Anunciamos que o estreito de Ormuz será fechado ao tráfego marítimo. Salientamos que esta primeira medida é uma resposta à quebra de promessa por parte do inimigo e, caso a agressão se mantenha, serão planeadas e tomadas outras medidas para forçar o inimigo a cumprir as suas obrigações".

Antes da guerra iniciada a 28 de fevereiro, era por este corredor marítimo que circulavam cerca de 20% do petróleo mundial.

Ataques e confrontos entre Israel e Hezbollah no Sul do Líbano

Segundo um responsável militar israelita, os novos bombardeamentos contra o Hezbollah foram desencadeados após o alegado disparo de "mais de 50 projéteis contra as forças israelitas no sul do Líbano" durante a noite.

Já no sábado, o grupo apoiado pelo Irão afirmou que, durante a noite, os seus combatentes enfrentaram forças israelitas que procuravam infiltrar-se em direcção a colinas estratégicas com vista sobre a cidade de Nabatieh, no Sul do Líbano.

Em comunicado, o Hezbollah afirmou: "Mais uma vez, sob a cobertura do cessar-fogo, o inimigo realizou ontem à noite uma tentativa de infiltração em direção às colinas de Ali Taher", acrescentando que os seus combatentes montaram uma emboscada às tropas israelitas e "confrontaram-nas com armamento apropriado". O Hezbollah "declara que, embora esteja empenhado no cessar-fogo, não será brando ao confrontar qualquer tentativa inimiga... de expandir a sua ocupação", concluiu o mesmo texto.

Tráfego naval e posição dos Estados Unidos

Apesar do anúncio iraniano, as forças armadas dos EUA referiram que 55 navios atravessaram hoje o estreito de Ormuz. Em comunicado, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) indicou que "o tráfego de navios comerciais no estreito de Ormuz aumentou a 20 de junho, à medida que as forças dos EUA continuavam a operar na área geral para apoiar a liberdade de navegação".

Pelo menos 16 mortos

Os meios de comunicação estatais do Líbano relataram ataques aéreos israelitas em cerca de 20 locais. A Defesa Civil anunciou 16 mortos na região de Nabatieh, onde um fotógrafo da AFP observou fumo a erguer-se sobre a cidade após os bombardeamentos. Do lado israelita da fronteira, outro jornalista da France-Presse descreveu várias explosões no Líbano e fumo a subir atrás do histórico Castelo de Beaufort, uma posição estratégica perto de Nabatieh que Israel capturou no mês passado.

Esta semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram um acordo preliminar com vista a suspender a guerra no Médio Oriente em todas as frentes, incluindo o Líbano - uma exigência central de Teerão. Ainda assim, as conversações subsequentes, previstas para sexta-feira na Suíça, foram adiadas por tempo indeterminado, depois de Israel ter lançado uma vaga de ataques no Líbano que causou dezenas de mortos; quatro soldados israelitas morreram em combate, o que alimentou uma reacção furiosa no país.

Na tarde de sexta-feira, um responsável norte-americano anunciou um novo cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, negociado com mediação de representantes dos EUA e do Catar. O embaixador de Israel em Washington disse que o país respeitaria a trégua se o Hezbollah também a cumprisse.

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