Aponta já na agenda: 18 de agosto, Quail Lodge & Golf Club, em Carmel, Califórnia. É neste encontro anual que a Bonhams vai colocar em leilão sete joias do mundo automóvel - todas versões especiais de homologação. No fundo, autênticos protótipos pensados para a competição, com muito pouco em comum com os restantes modelos de estrada produzidos pelas mesmas marcas.
Nascidos diretamente de máquinas que marcaram época no Campeonato do Mundo de Ralis, estes carros só foram “civilizados” no “estritamente necessário” para poderem circular legalmente na via pública. No lote de sete, dominam claramente os derivados do Grupo B, com seis exemplares: Audi Sport Quattro S1, Ford RS200, Ford RS200 Evolution, Lancia-Abarth 037 Stradale, Lancia Delta S4 Stradale e Peugeot 205 Turbo 16. O sétimo, igualmente impressionante, é o Lancia Stratos HF Stradale, anterior ao Grupo B e criado de acordo com os regulamentos do Grupo 4.
1975 Lancia Stratos HF Stradale
Concebido e realizado pela Bertone, o Lancia Stratos continua a ser um verdadeiro ícone. Foi desenhado de raiz com um único objetivo: vencer no Mundial de Ralis. No entanto, a homologação obrigava à construção de 500 unidades de estrada - e é assim que surge o Lancia Stratos HF Stradale. Atrás dos ocupantes trabalha um V6 de 2.4 litros com 190 cavalos, capaz de lançar os menos de 1000 kg do Stratos até aos 100 km/h em 6.8 segundos e de atingir 232 km/h de velocidade máxima. Este exemplar em particular soma apenas 12 700 km.
1983 Lancia-Abarth 037 Stradale
Foi o último modelo de tração traseira a conquistar um Campeonato do Mundo de Ralis - precisamente no mesmo ano do exemplar agora a leilão (1983). Destacava-se pela carroçaria em Kevlar reforçada com fibra de vidro e por um motor de 2.0 litros, quatro cilindros, com compressor, montado longitudinalmente em posição central traseira. Entregava 205 cavalos, com um peso de 1170 quilos. No odómetro, conta somente 9400 km.
1985 Audi Sport Quattro S1
Este foi o contra-ataque da Audi aos “monstros” de motor central traseiro da Lancia e da Peugeot. Face ao Quattro anterior, o S1 diferenciava-se sobretudo pela distância entre eixos, encurtada em cerca de 32 centímetros. Mantinha a tração integral e, “pendurado” à frente, estava o cinco cilindros em linha turbo de 2.1 litros com pouco mais de 300 cavalos. Este exemplar traz ainda a assinatura de Walter Röhrl no volante - por outras palavras: “o Rei esteve aqui”.
1985 Lancia Delta S4 Stradale
A Stradale era tão impressionante quanto a variante de competição. Foram produzidas apenas 200 unidades e, tal como no carro de ralis, o motor de 1.8 litros recorria a dupla sobrealimentação (turbo + compressor) para combater o atraso do turbo. Nesta configuração de estrada, debitava “apenas” 250 cavalos, suficientes para levar os 1200 kg aos 100 km/h em 6.0 segundos. E, apesar da base radical, oferecia mordomias como interior forrado a alcantara, ar condicionado, direção assistida e computador de bordo. Este exemplar tem só 8900 km.
1985 Peugeot 205 Turbo 16
À primeira vista parece um Peugeot 205, mas, na prática, de 205 tem muito pouco. Tal como o Delta S4, o 205 T16 era um “monstro” com motor central traseiro e tração às quatro rodas. Também produzido em 200 unidades, o 205 T16 desenvolvia 200 cavalos a partir de um quatro cilindros turbo de 1.8 litros. Este exemplar apresenta apenas 1200 km percorridos.
1986 Ford RS200
Ao contrário do Delta e do 205, o Ford RS200 não derivava de qualquer modelo de produção - nem sequer pelo nome ou pela aparência. À imagem dos rivais, tratava-se de um “monstro” com tração integral e motor central traseiro: um 1.8 litros, quatro cilindros, turbo, desenvolvido pela Cosworth. No total, produzia 250 cavalos e este exemplar inclui até uma caixa de ferramentas específica.
1986 Ford RS200 Evolution
Das 200 unidades produzidas do Ford RS200, 24 foram transformadas numa especificação mais evoluída, em linha com o desenvolvimento do carro de competição. Como exemplo, a cilindrada do motor passou de 1.8 para 2.1 litros. A estreia em competição estava prevista para 1987, mas acabou por não acontecer devido ao fim do Grupo B. Ainda assim, alguns exemplares continuaram a correr em ralis europeus, e um dos RS200 Evolution viria a sagrar-se campeão europeu de rallycross em 1991.
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