Foi há pouco mais de um ano que a Hyundai anunciou que os modelos N com motor de combustão deixariam de ser vendidos na Europa. Nesse movimento, o i20 N e o i30 N saíram do catálogo, abrindo espaço para uma nova geração de desportivos 100% elétricos, como o IONIQ 5 N e o IONIQ 6 N.
Ainda assim, a porta não parece estar fechada. Em declarações à publicação Auto Express, Joonwoo Park, vice-presidente e cofundador da Hyundai N, deixou claro que a divisão desportiva não pretende tornar-se exclusivamente elétrica.
“Não é verdade que seremos uma marca 100% elétrica no futuro. Temos um grande legado com o i20 N e o i30 N - e não vamos ficar por aí”
Joonwoo Park, vice-presidente e cofundador da Hyundai N
O futuro da Hyundai N na Europa pode passar por híbridos
O segmento dos pequenos desportivos - aqueles compactos leves e muito focados no prazer de condução - já não tem a vitalidade de outros tempos. Com regras de emissões cada vez mais apertadas, várias marcas optaram por abandonar este tipo de propostas ou por as converter em alternativas totalmente elétricas, como se tem especulado no caso de um Volkswagen ID. Polo GTI ou no caso do MINI JCW Electric.
A Hyundai, porém, não quer ficar parada. Park interpreta o atual cenário como uma oportunidade para fazer diferente, precisamente por considerar que a concorrência poderá não apostar em soluções híbridas orientadas para a performance:
“É provável que não existam modelos híbridos da concorrência no futuro. Construir esse tipo de automóvel pode dar-nos uma vantagem.”
Joonwoo Park, vice-presidente e cofundador da Hyundai N
Este posicionamento é relevante porque um híbrido pode ser a forma mais direta de manter um carácter desportivo “à antiga” (som, resposta e autonomia) e, ao mesmo tempo, cumprir requisitos de homologação e emissões sem depender exclusivamente de baterias de grande capacidade.
Hyundai i20 N: a possibilidade de regresso (com tecnologia híbrida)
O principal candidato a inaugurar esta nova fase poderá ser, precisamente, o i20 em versão N. Alex Eichler, um dos pilotos de testes mais ligados à divisão N, admitiu que “poderá haver um carro como o i20 N no futuro”, acrescentando ainda: “Pelo menos, espero que sim”.
Se esse regresso se concretizar, tudo indica que o pequeno desportivo deixará de assentar apenas no conhecido 1.6 Turbo de quatro cilindros. A perspetiva apontada passa por combinar o motor a combustão com a assistência de um motor elétrico de pequena dimensão.
A introdução de um novo sistema híbrido teria duas vantagens centrais: por um lado, permitiria cumprir as exigentes normas Euro 7; por outro, abriria margem para aumentar a potência. De acordo com rumores, os valores poderão aproximar-se dos 270 cv - um salto que o colocaria praticamente ao nível do i30 N, ficando “taco-a-taco” em desempenho.
O preço a pagar: mais peso e o fim da caixa manual
Nem tudo, contudo, seriam boas notícias para os puristas. A adoção de um sistema híbrido tenderá a ditar o desaparecimento da caixa manual e, além disso, irá acrescentar massa ao conjunto - um tema que Park identifica como uma das maiores preocupações quando se fala de um automóvel que se pretende leve, reativo e ágil.
Segundo o responsável, o desafio está em encontrar o equilíbrio certo para que o resultado final continue a ser fiel ao ADN N:
“A questão está em como lidamos com esses compromissos, de forma que o nosso cliente continue a conduzir um carro divertido”
Joonwoo Park, vice-presidente e cofundador da Hyundai N
Num desportivo compacto, cada quilograma adicional tem impacto na travagem, na agilidade em curva e até na sensação de direção. É por isso que, além da potência, a afinação do chassis, o controlo de peso e a calibração do sistema híbrido serão determinantes para manter o carácter “entusiasta” que tornou os N populares.
Não é só o i20 N: o i30 N também pode não ser esquecido
Apesar de o Hyundai i20 N surgir como a “jóia da coroa” de um eventual regresso aos desportivos compactos, não deve ser descartada a hipótese de o i30 N voltar a aparecer mais adiante. Sendo maior e mais potente, poderia igualmente beneficiar de uma solução híbrida que preservasse prestações elevadas, sem comprometer as metas regulamentares na Europa.
Também é plausível que esta estratégia permita à Hyundai N manter uma oferta diversificada: elétricos puros para quem procura performance sem emissões no escape e híbridos para quem valoriza uma experiência de condução mais próxima dos modelos a combustão que marcaram a identidade da divisão.
Só depois de 2027
Independentemente do caminho escolhido, não há novidades imediatas a caminho. A Hyundai já assumiu que os seus sistemas híbridos ainda se encontram em fase de pré-desenvolvimento. Em termos práticos, isso significa que dificilmente veremos um Hyundai N híbrido antes do final de 2027.
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