A Agência para o Desenvolvimento da Defesa da Coreia do Sul (ADD) deu início à etapa final de ensaios e avaliações do radar de varrimento electrónico activo (AESA) concebido no país para o caça KF-21 Boramae. O objectivo é confirmar, em ambiente operacional e em modo multimodo, que o sistema cumpre os requisitos antes de entrar plenamente ao serviço.
O arranque foi formalizado a 29 de Janeiro, na sequência de uma reunião realizada na sede da ADD, em Daejeon, que contou com representantes do Ministério da Defesa Nacional (MND), bem como de entidades e empresas associadas ao programa. Esta sessão assinalou o começo oficial do projecto designado “ensaio de armamento adicional do KF-21 - desenvolvimento do radar AESA e integração do sistema”, orientado para uma validação completa do radar e da sua integração na aeronave.
Contexto do desenvolvimento do radar AESA do KF-21
O trabalho de desenvolvimento do radar AESA do KF-21 remonta a 2016 e enquadra-se numa estratégia sul-coreana para reduzir a dependência externa em tecnologias críticas de combate. Em Março de 2023, a Hanwha Systems comunicou ter instalado e testado com sucesso um radar AESA num dos protótipos do KF-21, evidenciando a maturação do programa.
A iniciativa ganhou ainda mais relevância face a limitações impostas pelos Estados Unidos na transferência de tecnologias sensíveis. Neste quadro, empresas sul-coreanas avançaram com cooperação internacional, incluindo um acordo celebrado em 2021 com a Elta Systems (Israel), que participou no desenho e no apoio à fabricação dos primeiros protótipos do radar.
Radar AESA do KF-21 Boramae: características e capacidades
O radar AESA do KF-21 foi concebido para equipar o caça de geração 4.5 desenvolvido pela Korea Aerospace Industries (KAI) com funções avançadas de detecção, acompanhamento e gestão simultânea de múltiplos alvos. Trata-se de um radar activo tridimensional na banda X (banda I/J da NATO, 8–12 GHz), com um alcance estimado superior a 100 quilómetros.
Ao contrário dos radares mecânicos tradicionais, o AESA recorre ao controlo electrónico de numerosos módulos de transmissão e recepção, dispensando o movimento físico da antena. Esta arquitectura permite detectar e seguir, em tempo real, alvos aéreos e de superfície, reforçando a consciência situacional da plataforma.
Além do ganho em rapidez de varrimento e flexibilidade de modos, a abordagem AESA tende também a facilitar actualizações de software e ajustes de desempenho ao longo do ciclo de vida, o que é particularmente relevante para um caça pensado para evoluir por incrementos. Na prática, isto ajuda a manter a aeronave alinhada com novas ameaças e perfis de missão, sem depender exclusivamente de alterações de hardware.
Campanha de ensaios e avaliações até 2028
De acordo com a ADD, a campanha de testes em grande escala prolonga-se até Dezembro de 2028. Ao longo deste período, o radar será sujeito a avaliações em vários cenários operacionais, com o propósito de comprovar o seu desempenho na detecção e no acompanhamento de alvos aéreos, terrestres e marítimos.
A agência indicou que, “uma vez concluídos os testes e as avaliações, o KF-21 poderá detectar e seguir todos os alvos no ar, em terra e no mar, realizando missões multipropósito em todas as condições meteorológicas”. Acrescentou ainda que “o projecto também irá verificar o funcionamento simultâneo dos modos ar-ar e ar-solo”.
Produção em série e projecção operacional do KF-21
Em Agosto de 2025, a Hanwha Systems realizou uma cerimónia para assinalar o início da produção dos radares AESA destinados à frota de KF-21 da Força Aérea da Coreia do Sul, num evento apoiado pela Administração do Programa de Aquisições de Defesa (DAPA).
Segundo as previsões, até 2028 a empresa espera fabricar e instalar 40 radares AESA, acompanhando o ritmo de produção das aeronaves por parte da KAI. O sistema afirma-se como um componente central do primeiro caça de combate de desenho autóctone sul-coreano, ao ampliar de forma expressiva a detecção simultânea nos domínios aéreo, terrestre e marítimo e ao superar as capacidades dos radares mecânicos actualmente em serviço.
Por outro lado, a entrada em produção e a validação operacional desta família de radares contribuem para reforçar a base industrial e a autonomia tecnológica nacionais, reduzindo vulnerabilidades associadas a restrições de exportação e a cadeias de fornecimento externas. Isto pode traduzir-se em maior previsibilidade na manutenção, no suporte e na evolução do sistema ao longo da vida operacional do KF-21.
Imagens meramente ilustrativas.
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