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Stellantis já não vai ser 100% elétrica na Europa até 2030

Carro elétrico branco moderno num salão, com estação de carregamento e painel informativo ao lado.

Stellantis recua na meta de vender apenas veículos 100% elétricos na Europa até 2030

O grupo Stellantis já não tenciona cumprir o objetivo de comercializar apenas veículos 100% elétricos na Europa até 2030. A mudança de orientação foi comunicada por Jean-Philippe Imparato, diretor-executivo do grupo na Europa, no dia reservado à imprensa na abertura do Salão de Munique (IAA 2025).

Jean-Philippe Imparato (Stellantis) e as metas da União Europeia (UE) para 2035

De acordo com Imparato, as metas de emissões da União Europeia (UE) para 2035 - que apontam para o fim do motor a combustão - são, na prática, impossíveis de concretizar para qualquer construtor automóvel. Com esta leitura, a Stellantis afasta-se da ideia de uma transição totalmente linear e sem desvios, tal como tinha sido apresentada nos últimos anos.

Do Dare Forward 2030 de Carlos Tavares à revisão da estratégia

Esta posição representa um distanciamento claro do caminho definido pelo antigo diretor-executivo Carlos Tavares, que em 2022 revelou o plano estratégico Dare Forward 2030. Entre as linhas mestras, estava a aceleração da eletrificação em marcas como Peugeot, Citroën, Opel e FIAT, com o objetivo de tornar a oferta europeia totalmente elétrica dentro do prazo estabelecido.

Apesar do impulso inicial, a execução do plano não está a evoluir como se previa, e vários sinais recentes apontam para uma reavaliação das metas e do calendário.

Opel revê a eletrificação total prevista para 2028

A Opel foi a marca mais recente do grupo a reajustar a sua rota, ao rever o plano de eletrificação e ao recuar na ambição de se tornar totalmente elétrica no horizonte inicialmente apontado para 2028. Este passo atrás evidencia as dificuldades em manter uma transição completa no curto prazo, dadas as condições do mercado e as exigências regulamentares.

FIAT: dificuldades com o 500e e chegada do 500 Hybrid

Também a FIAT tem sentido obstáculos, em particular com o 500e. Depois de vendas abaixo das expectativas, a marca decidiu adaptar a plataforma para introduzir uma alternativa com motor eletrificado não totalmente elétrico: o 500 Hybrid. A decisão ilustra a procura por soluções intermédias que permitam alinhar oferta, preço e procura real, sem depender exclusivamente do 100% elétrico.

O que fica e o que pode mudar no plano Dare Forward 2030

Importa recordar que o Dare Forward 2030 previa que toda a gama europeia da Stellantis fosse elétrica até 2030 e que, nos EUA, 50% das vendas correspondessem a modelos elétricos até ao final da década. Imparato não especificou quais os restantes pontos do plano que serão alterados, mas assegurou que alguns elementos se irão manter, mesmo com a revisão da ambição para a Europa.

Fatores adicionais que pressionam a transição elétrica na Europa

Para além das metas legais, pesam variáveis práticas que condicionam a rapidez da mudança: o ritmo de expansão da infraestrutura de carregamento, as diferenças de acesso a carregamento doméstico entre países e regiões, e a sensibilidade do consumidor ao preço final. A estes fatores juntam-se ainda os custos das baterias e a necessidade de garantir cadeias de fornecimento estáveis, aspetos que influenciam diretamente a capacidade de escalar os veículos 100% elétricos com volumes consistentes.

Outra dimensão relevante é a gestão industrial: manter competitividade pode exigir uma coexistência temporária de várias tecnologias (incluindo híbridos) para responder a diferentes utilizações e níveis de poder de compra. Esta abordagem permite acomodar a transição sem comprometer a viabilidade comercial imediata, sobretudo enquanto o mercado não absorver o 100% elétrico ao ritmo que o calendário político antecipa.

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