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O novo radar AESA do caça KF-21 para a Força Aérea da Coreia do Sul entra na fase final de testes e avaliação.

Piloto com capacete verifica caça de combate estacionado numa pista de aeroporto militar.

A Agência para o Desenvolvimento da Defesa da Coreia do Sul (ADD) entrou na etapa final de ensaios e avaliação do radar AESA (Active Electronically Scanned Array) desenvolvido no país para o caça KF-21 Boramae. O objectivo é confirmar, antes da entrada plena em serviço, a capacidade do sistema para operar em vários modos e em diferentes cenários de missão.

A decisão foi formalizada a 29 de Janeiro, após uma reunião na sede da ADD, em Daejeon, com a presença de representantes do Ministério da Defesa Nacional (MND), bem como de organismos e empresas envolvidas no programa. O encontro assinalou o arranque oficial do projecto designado “Testes adicionais de armamento do KF-21: desenvolvimento do radar AESA e integração de sistema”, orientado para uma validação completa do equipamento.

Características do radar AESA do KF-21 Boramae

O radar AESA do KF-21 foi concebido para dotar o caça de geração 4,5 desenvolvido pela Korea Aerospace Industries (KAI) de capacidades avançadas de detecção, seguimento e gestão simultânea de múltiplos alvos. Trata-se de um radar activo tridimensional na banda X (banda NATO I/J, 8–12 GHz), com um alcance estimado superior a 100 quilómetros.

Ao contrário dos radares de varrimento mecânico tradicionais, um sistema AESA funciona através do controlo electrónico de numerosos módulos de transmissão/recepção, sem necessidade de mover fisicamente a antena. Esta arquitectura permite detectar e acompanhar, em tempo real, alvos aéreos e de superfície, reforçando a consciência situacional da aeronave.

Ensaios e avaliações até 2028

De acordo com a ADD, a fase de testes em grande escala prolonga-se até Dezembro de 2028. Durante este período, o radar será submetido a diferentes cenários operacionais para confirmar o desempenho na detecção e no seguimento de alvos aéreos, terrestres e marítimos.

Segundo a agência, “uma vez concluídos os testes e a avaliação, o KF-21 poderá detectar e acompanhar todos os alvos no ar, em terra e no mar, executando missões multiusos em quaisquer condições meteorológicas”. A ADD acrescentou ainda que “o projecto também irá verificar a operação simultânea dos modos ar-ar e ar-solo”.

Enquadramento do desenvolvimento do radar AESA

O desenvolvimento do radar AESA do KF-21 remonta a 2016 e insere-se numa estratégia sul-coreana para reduzir a dependência externa em tecnologias críticas de sistemas de combate. Em Março de 2023, a Hanwha Systems comunicou que tinha instalado e testado com sucesso um radar AESA num dos protótipos do KF-21, confirmando a evolução do programa.

A iniciativa ganhou impulso, em parte, como resposta a limitações impostas pelos Estados Unidos na transferência de tecnologias sensíveis. Nesse contexto, empresas sul-coreanas procuraram acordos de cooperação internacional, incluindo o entendimento assinado em 2021 com a Elta Systems, de Israel, que contribuiu para o desenho e apoiou o fabrico dos primeiros protótipos do radar.

Produção em série e perspectivas operacionais do KF-21 Boramae

Em Agosto de 2025, a Hanwha Systems realizou uma cerimónia para assinalar o início da produção dos radares AESA destinados à frota de KF-21 da Força Aérea da República da Coreia, num evento apoiado pela Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA).

As projecções indicam que, até 2028, a empresa conta produzir e instalar 40 radares AESA, alinhando a cadência de entrega com o ritmo de fabrico de aeronaves da KAI. Este sistema afirma-se como um dos componentes centrais do primeiro avião de combate concebido internamente pela Coreia do Sul, elevando de forma significativa a capacidade de detecção simultânea nos domínios aéreo, terrestre e marítimo, ultrapassando o desempenho dos radares de varrimento mecânico actualmente ao serviço.

A passagem para um radar AESA nacional também tende a simplificar, a médio prazo, aspectos como a gestão de sobressalentes, a autonomia na introdução de melhorias de software e a adaptação do sistema a novas ameaças. Além disso, a validação da operação em múltiplos modos - incluindo a utilização simultânea ar-ar e ar-solo - é particularmente relevante para missões complexas, em que a aeronave precisa manter a vigilância do espaço aéreo enquanto apoia acções contra alvos em terra ou no mar.

Do ponto de vista industrial, o amadurecimento do radar AESA e da sua integração no KF-21 Boramae pode reforçar a posição da Coreia do Sul em futuros programas de modernização e em potenciais campanhas de exportação, ao demonstrar domínio de tecnologias críticas e capacidade de sustentação do sistema ao longo do ciclo de vida.

Imagens com fins meramente ilustrativos.

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