Os novos sistemas de artilharia de foguetes de alta mobilidade M142 HIMARS do Exército de Taiwan participaram recentemente nos seus primeiros exercícios do ano, num treino que procurou reproduzir uma escalada militar por parte da China contra a ilha e uma subsequente operação de assalto a infraestruturas críticas. As manobras decorreram na base de Longsiand, no município de Taichung, e representaram mais um passo na integração operacional desta plataforma de ataque e apoio de fogo adquirida aos Estados Unidos, hoje apontada como uma das capacidades mais relevantes incorporadas pelas Forças Armadas taiwanesas nos últimos anos.
Cenário do exercício: escalada e ofensiva conjunta
O treino teve como finalidade simular uma situação em que as manobras conduzidas pelo Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação (EPL) evoluiriam para uma ofensiva directa contra Taiwan. O cenário incluiu operações combinadas com Forças Especiais, aeronaves de combate e unidades de assalto anfíbio, de forma a testar tempos de resposta, coordenação e sobrevivência em ambiente de elevada pressão operacional.
Neste contexto, os HIMARS foram deslocados rapidamente para posições de tiro previamente definidas, a partir das quais efectuaram disparos simulados contra alvos nas ilhas de Wangan e Cimei, no arquipélago de Penghu. A lógica do exercício centrou-se na prontidão para actuar a partir de locais planeados com antecedência, mantendo a capacidade de reposicionamento e dispersão.
Apoio de fogo e ataque profundo com os M142 HIMARS
Durante a actividade, os M142 HIMARS evidenciaram a sua aptidão para fornecer apoio de fogo de longo alcance e para cumprir missões de ataque profundo - um dos papéis-chave previstos para estes sistemas na doutrina defensiva de Taiwan. De acordo com oficiais do Exército de Taiwan, a manobra foi estruturada em torno do ciclo deslocar, adquirir alvos, disparar e voltar a deslocar, um conceito essencial para reduzir vulnerabilidades e manter a pressão sobre o adversário.
O exercício contou ainda com meios de apoio e escolta, incluindo helicópteros de transporte UH-60M Black Hawk, helicópteros armados de ataque e reconhecimento AH-1W Super Cobra, bem como viaturas blindadas de combate sobre rodas Cloud Leopard e carros de combate M60A3.
Como decorre a incorporação dos HIMARS no Exército de Taiwan
A participação dos HIMARS nestas manobras ocorre após a sua entrada oficial ao serviço em 2025, na sequência de um processo de aquisição acordado com os Estados Unidos, enquadrado no reforço das capacidades de dissuasão de Taiwan. Embora o pacote inicial previsse 11 unidades, o Ministério da Defesa de Taiwan optou por alargar a encomenda, acrescentando mais 18 sistemas, com o objectivo de intensificar as capacidades de apoio de fogo e ataque a longa distância - em vez de avançar para a compra de novos obuses autopropulsados M109A6 Paladin.
Com a ampliação, o pedido total passou para 29 sistemas de artilharia de alta mobilidade, num investimento aproximado de US$ 1,010 mil milhões. Após vários ajustamentos no calendário, o primeiro lote de 11 HIMARS foi entregue em 2024, enquanto as 18 unidades restantes deverão chegar antes de 2026.
Importa notar que, de acordo com o cronograma inicial, a segunda tranche estava originalmente prevista apenas para 2027–2028. Adicionalmente, antes da apresentação oficial, os sistemas foram submetidos a exercícios de aceitação e verificação operacional, estabelecendo as bases para a sua utilização em contexto real.
Treino, logística e sobrevivência no campo de batalha (aspectos complementares)
Para além da entrega das plataformas, a eficácia dos HIMARS depende de factores como formação de guarnições, procedimentos de coordenação com observadores e sensores, e a capacidade de manter uma cadeia logística robusta (munições, manutenção e disponibilidade de viaturas). Exercícios como o realizado em Taichung ajudam a consolidar rotinas de operação e a testar a integração com outras unidades, reduzindo tempos entre a recepção de informação de alvo e a execução do fogo.
Outro ponto crítico é a sobrevivência em ambiente contestado. A filosofia “disparar e deslocar” reduz a exposição a fogos de contra-bateria e a ameaças aéreas, sobretudo quando combinada com dispersão, camuflagem e planeamento de múltiplas posições de tiro. A validação destes procedimentos em treino é determinante para transformar a capacidade teórica de longo alcance numa ferramenta operacional credível.
Possíveis novos lotes: 82 M142 HIMARS, ATACMS e GMRLS-U
Por fim, enquanto o processo de incorporação continua, o Governo de Taiwan estará também a preparar-se para encomendar um novo lote de sistemas aos Estados Unidos. Tal resulta de uma autorização recente emitida pelo Departamento de Estado, que aprovou a potencial venda de 82 sistemas M142 HIMARS, acompanhados por 420 mísseis ATACMS e 752 foguetes guiados GMRLS-U, num pacote estimado em US$ 4,000 mil milhões.
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