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O Japão enviou caças e aviões de patrulha para vigiar navios e aviões russos no Pacífico.

Piloto militar dentro de cockpit observa avião em voo próximo a navio e ilha no mar.

A atividade militar russa nas imediações do Japão voltou a ganhar destaque, depois de as Forças de Autodefesa terem mobilizado, nos últimos dias, caças e aeronaves de patrulha marítima para acompanhar voos de recolha de informações e a navegação de navios especializados da Marinha russa no noroeste do Pacífico e mares adjacentes.

Forças de Autodefesa do Japão: interceções a voos Il-20 no Mar de Okhotsk e no Mar do Japão

De acordo com dados divulgados pelo Estado-Maior Conjunto do Ministério da Defesa do Japão, na segunda-feira, 26 de janeiro, foi detetada uma aeronave russa Ilyushin Il-20 de inteligência eletrónica. O aparelho terá descolado do continente asiático, atravessado o Mar de Okhotsk e prosseguido em direção ao Oceano Pacífico. Perante a aproximação, a Força Aérea de Autodefesa do Japão ordenou a descolagem imediata de caças afetos ao Comando Aéreo do Norte para identificação e escolta.

O episódio não foi único. Três dias antes, na sexta-feira, 23 de janeiro, outro Il-20 foi identificado a realizar o que se interpretou como um voo de reconhecimento sobre o Mar do Japão, levando a uma resposta idêntica por parte dos caças japoneses. A repetição destas missões num intervalo curto reforça, em Tóquio, a leitura de que existe um aumento sustentado da atividade de reconhecimento russa em áreas consideradas sensíveis para a sua segurança.

Navio SIGINT Vishnya da Marinha russa seguido junto ao arquipélago japonês

Em paralelo com os acontecimentos no ar, o Japão confirmou também a presença prolongada de um navio russo de inteligência de sinais (SIGINT) da classe Vishnya a operar em águas próximas do arquipélago entre 20 e 26 de janeiro. Segundo os elementos oficiais, o navio foi inicialmente observado a patrulhar zonas a leste e a sudeste de Okinawa, incluindo áreas adjacentes, antes de se deslocar para sudeste da ilha principal e para nordeste de Kumejima. Por fim, entre 25 e 26 de janeiro, o navio transitou o Estreito de Tsushima a caminho do Mar do Japão.

Durante todo este período, a vigilância e o seguimento foram assegurados por vários meios da Força Marítima de Autodefesa do Japão, incluindo o contratorpedeiro JS *Ikazuchi, o navio de reabastecimento *-Mashu, o caça-minas *-Takashima* e aeronaves de patrulha marítima P-3C *Orion*, empregues em tarefas contínuas de observação e recolha de informações.

Um padrão em intensificação no Indo-Pacífico

A conjugação de voos de reconhecimento com a presença de navios de inteligência nas proximidades do território japonês encaixa num padrão que Tóquio acompanha de perto há anos e que se tem intensificado no contexto das atuais tensões no Indo-Pacífico. Para o Japão, estes movimentos reforçam a necessidade de manter um nível elevado e constante de vigilância sobre o seu espaço marítimo e aéreo.

Em termos práticos, este tipo de ocorrência tende a traduzir-se em maior pressão operacional sobre os meios de prontidão - desde a disponibilidade de caças para interceção até à persistência de plataformas navais e aeronaves de patrulha -, bem como numa atenção redobrada às rotas e estreitos estratégicos, como o Estreito de Tsushima, por onde circula uma parte relevante do tráfego militar regional.

Ao mesmo tempo, a monitorização detalhada destas atividades contribui para construir um quadro de situação mais completo, permitindo ao Japão ajustar padrões de patrulhamento, testar tempos de resposta e consolidar procedimentos de coordenação entre a Força Aérea de Autodefesa do Japão e a Força Marítima de Autodefesa do Japão, sempre com foco na dissuasão e na proteção do espaço envolvente.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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