Relatórios de Open Source Intelligence (OSINT) divulgados há poucos dias confirmaram que o futuro destróier hipersónico USS Zumwalt (DDG 1000), da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), voltou a largar amarras para iniciar o que se acredita serem provas de navegação e verificações de sistemas. Trata-se de um dos marcos mais relevantes de um processo de modernização longo e tecnicamente exigente. Registos indicam que o navio saiu do porto de Pascagoula, no Mississippi, a 15 de janeiro de 2026, rumo a um destino não divulgado.
Esta nova ida ao mar é a primeira vez que o destróier navega pelos seus próprios meios desde agosto de 2023, quando entrou nas instalações da Huntington Ingalls Industries (HII) para uma transformação profunda e modernização, tendo sido reflutuado ao longo de 2024. O regresso à água sugere que as intervenções estruturais mais críticas ficaram concluídas, abrindo caminho para a fase de verificação e validação operacional dos sistemas e equipamentos através de testes em condições reais.
A atual campanha de ensaios integra o programa de modernização da classe iniciado em 2023, cujo objetivo é transformar os destróieres da classe Zumwalt nas primeiras plataformas de superfície da US Navy capazes de operar e lançar mísseis hipersónicos. Isso é feito com a instalação e integração do sistema Conventional Prompt Strike (CPS). Para o efeito, o navio recebeu alterações de grande escala, incluindo a remoção das duas torres originais Advanced Gun System (AGS) de 155 mm e a instalação de quatro tubos de lançamento vertical de grande diâmetro, concebidos para alojar 12 destas novas armas estratégicas.
Nos últimos meses, imagens e relatos oficiais já tinham mostrado avanços significativos na integração do sistema de lançamento de mísseis hipersónicos, bem como trabalhos na estrutura interna, nos sistemas elétricos e nas suites de combate. As provas de mar permitirão agora avaliar o desempenho global da plataforma, a propulsão, a manobrabilidade e a interação correta entre os novos subsistemas incorporados.
Além disso, noutro passo deste programa, a US Navy anunciou em maio de 2025 que o novo sistema de lançamento hipersónico instalado no USS Zumwalt foi testado com sucesso. Na altura, canais oficiais referiram que a atividade fazia parte dos Strategic Systems Programs e assinalou um marco: a primeira utilização da capacidade CPS recorrendo ao método de lançamento por “cold gas” que está a ser desenvolvido pela força.
Importa recordar que o USS Zumwalt é o navio líder de uma classe inicialmente concebida como um destróier multimissão altamente automatizado e com forte ênfase em furtividade. No entanto, os custos elevados, problemas técnicos e mudanças nos requisitos operacionais levaram a uma redefinição do seu papel, orientando-o para missões de ataque de longo alcance contra alvos de elevada importância estratégica. A conversão operacional do navio num portador de mísseis hipersónicos representa uma tentativa de tirar partido de uma plataforma singular, embora numericamente limitada - apenas foram construídas três unidades - dentro da frota de superfície norte-americana.
Por fim, segundo informação limitada avançada por observadores, o USS Zumwalt regressou ao porto poucos dias após a partida. Isso mantém em aberto dúvidas sobre os próximos passos previstos para concluir as provas de mar antes da sua redelivery formal à US Navy. Uma vez reintegrado no serviço, o navio materializará a prioridade atribuída pela força à obtenção e implantação de capacidades hipersónicas - um domínio em que os Estados Unidos têm ficado atrás de outras potências, como a Rússia e a China, nos últimos anos.
*Fotografias: Créditos aos respetivos proprietários.
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