A Audi ainda não está preparada para virar definitivamente a página dos seus desportivos. Prova disso é o Audi Concept C, que terá apresentação oficial no Salão de Munique (IAA 2025).
Este protótipo serve de antevisão ao regresso do TT, agora numa fase totalmente elétrica. Em termos técnicos, aproxima-se do futuro Porsche 718 Boxster e Cayman - também previstos com propulsão elétrica -, mas os entusiastas da marca dos quatro anéis terão de aguardar cerca de três anos, com chegada ao mercado apontada a 2028.
Um regresso arriscado para coupés e roadsters
A possibilidade de voltar a ver um TT - ou até um R8 - tem estado, há algum tempo, guardada nas “gavetas” digitais da Audi. A dificuldade não está no estilo nem na tecnologia, mas sim no contexto comercial: hoje, é muito complicado tornar rentável um coupé ou um descapotável de dois lugares quando os volumes de produção são tão baixos.
Isso ajuda a explicar porque é que temos assistido ao anúncio do fim de vários modelos deste tipo. Ainda assim, a Audi optou por apostar num recomeço e, antes do IAA 2025, dá a conhecer este Concept C.
Audi Concept C: dois lugares com tejadilho retrátil
Estamos perante um desportivo elétrico biplace com tejadilho retrátil, capaz de converter o coupé num Targa com um simples toque num botão. A proposta aponta diretamente ao espaço que ficou em aberto com a saída de cena do TT e do R8.
Parente próximo do Porsche 718 elétrico
Do ponto de vista técnico, o futuro TT deverá partilhar vários componentes e soluções com os novos 718 Boxster e Cayman elétricos. Recorde-se que o lançamento deste duo tem sido sucessivamente adiado: já deveria ter acontecido, mas agora a chegada está prevista apenas para 2027.
À semelhança do seu «gémeo» de Zuffenhausen, o Audi Concept C - com linhas depuradas e musculadas - tem pela frente um obstáculo relevante: quem procura um desportivo coupé, Targa ou descapotável continua a preferir, muitas vezes, um motor de combustão forte e emocional em vez de uma alternativa elétrica. Por isso, a tarefa do futuro TT elétrico não será simples.
O Concept C adota uma linguagem visual diferente da de outros estudos da Audi inspirados no Quattro - propostas que, apesar da grande aceitação, nunca chegaram a produção.
A linha de cintura mais estreita e as cavas das rodas apenas discretamente alargadas podem até sugerir que a versão de estrada poderá ser só de tração traseira. Seria uma opção mais associada aos Porsche 718, mas é difícil imaginar um desportivo da Audi sem a tração integral Quattro, um elemento consistentemente ligado ao ADN da marca.
Um novo capítulo no desenho da Audi
Mais do que antecipar uma nova geração do TT, o Concept C funciona como guia para uma futura linguagem de desenho da Audi. A dianteira passa a integrar um novo elemento vertical - “vertical frame” - e faróis horizontais estreitos, uma assinatura que deverá surgir também nos próximos modelos da marca.
A abordagem minimalista do exterior tem continuidade no interior. Apesar de existirem algumas referências históricas, desapareceram pormenores como os muito apelativos bancos em pele “castanho-mocassim” da primeira geração do TT Roadster. Em alternativa, surgem bancos tipo baquet de estética contida, mais próximos da identidade da Polestar ou da Volvo.
Num momento em que o digital domina, o ecrã central retrátil de 10,4” será, muito provavelmente, um exercício de estilo que não deverá transitar para produção. Em vez disso, o mais expectável é a adoção de ecrãs fixos, menos complexos de fabricar e de montar.
A posição de condução é muito baixa, já que o conjunto de baterias está colocado atrás dos ocupantes e não sob o piso, replicando a distribuição de massas típica de um desportivo com motor central traseiro. Esta escolha reforça o ADN de desportivo que a Audi pretende para o Concept C.
O mais relevante será perceber se, desta vez, um dos muitos protótipos lançados pela Audi vai finalmente chegar à linha de montagem. Para o confirmar, ainda teremos de esperar algum tempo.
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