Nove décadas após a apresentação do primeiro Jaguar (SS Cars até 1945), a marca britânica optou por cortar com o que vinha de trás e recomeçar do zero. Pelo caminho, fez uma pausa deliberada - entra em 2026 sem modelos novos para comercializar - e, quando regressar, será uma Jaguar muito diferente da que conhecemos. Até quase daria para sugerir uma nova mudança de nome, desta vez para Fénix, numa referência à ave mitológica que renasce das próprias cinzas.
A partir de 2026, a Jaguar vai adotar um posicionamento novo, mais próximo do de marcas de luxo como a Bentley, e passará a ser exclusivamente elétrica - um dos pilares desta nova fase - deixando os motores de combustão remetidos para os livros de história.
Esta “nova Jaguar” foi apresentada pela primeira vez numa campanha no final de 2024 e… a polémica não tardou, precisamente por se afastar tanto da imagem que o público associava à marca. Reconhecida, ao longo da sua história, por luxo, elegância e desempenho, assumiu uma identidade mais próxima de uma marca de moda ou de estilo de vida - e nem sequer mostrava um automóvel. Esse surgiria apenas algumas semanas depois, no final de 2024, através do protótipo Type 00, mas a controvérsia pouco abrandou.
A razão é simples: trata-se de um Jaguar como nunca vimos. Um coupé de grandes dimensões que troca a elegância habitual por volumes monolíticos e limpos, acompanhados por uma identidade visual completamente renovada. Ainda assim, cumpriu a primeira missão: voltar a colocar a marca de Coventry no centro das conversas, algo que já não acontecia há muito.
O que esperar da nova Jaguar em 2026?
É a partir do Type 00 que deverá nascer o automóvel mais determinante da Jaguar nas últimas décadas: um GT elétrico, com revelação prevista para o verão deste ano e com entregas apontadas para o final de 2026 ou o início de 2027.
Deixará de ser um coupé como o Type 00 e passará a ter quatro portas, mas não abdica do impacto visual: uma silhueta que não procura consenso, com proporções extremas, linhas dramáticas e uma presença forte em estrada. Com esta viragem, a Jaguar abandona de vez o patamar premium e posiciona-se num nível mais exclusivo, emocional e aspiracional, em que o estilo e a experiência de utilização pesam mais do que argumentos estritamente técnicos.
Propulsão elétrica e soluções técnicas
Apesar desse foco, uma coisa fica assegurada: o novo Jaguar será 100% elétrico. Não há (para já) planos para variantes híbridas nem para outras opções de transição. A configuração deverá incluir três motores elétricos (um à frente e dois atrás), com potência combinada acima dos 750 kW (1020 cv), o que fará deste o Jaguar mais potente de sempre.
A autonomia estimada deverá situar-se perto dos 640 km, com carregamento rápido capaz de repor aproximadamente 320 km de autonomia em cerca de 15 minutos. Entre as tecnologias já confirmadas está a direção no eixo posterior, pensada para aumentar a agilidade de um conjunto com dimensões (e peso) generosas.
Design, conforto e “carácter Jaguar”
A própria marca admite que o sistema de propulsão não será o fator decisivo para os clientes. A aposta estará no desenho exterior, no ambiente a bordo, no conforto e na forma como este GT se comporta em estrada - sempre com a promessa de preservar o “carácter Jaguar”.
Novo posicionamento, novo preço
Naturalmente, o reposicionamento da Jaguar vai refletir-se nos preços do GT e dos modelos que se seguirão. A marca ainda não comunicou os valores finais, mas o objetivo é inequívoco: mais do que duplicar o valor médio de transação da «velha» Jaguar.
No Reino Unido, esse valor rondava de 55 mil libras (cerca de 63 400 euros); assim, o novo modelo deverá chegar ao mercado britânico por 120 mil libras - perto de 140 mil euros. Trata-se de um valor elevado, acima das marcas premium tradicionais, mas ainda assim abaixo de nomes como a Bentley ou a Rolls-Royce.
Gama prevista e volumes de vendas
Este GT servirá também como base técnica e conceptual para os próximos produtos, estando planeados mais dois (um SUV e uma berlina). O reposicionamento implica também volumes inferiores: a Jaguar aponta, para o conjunto dos três modelos, vendas anuais na ordem das 50 mil unidades. É uma descida expressiva face às 180 mil unidades que chegou a vender em 2018.
Personalização e serviços à medida
A redução de volumes deverá ser compensada por preços mais altos e por uma aposta mais forte em personalização avançada e serviços à medida, hoje cada vez mais determinantes para a rentabilidade das marcas de luxo.
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