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Toyota bate recordes de vendas, mas tarifas dos EUA pressionam o lucro no FY2026

Carro desportivo elétrico vermelho Toyota, design futurista, luzes LED, mostrado em ambiente minimalista branco.

Ao contrário do que se tem verificado em vários fabricantes automóveis, o atual ano fiscal tem sido, até agora, bastante favorável para a Toyota. Se não fossem as tarifas aplicadas pelos EUA - que deverão ultrapassar os cinco mil milhões de euros no primeiro semestre do exercício fiscal de 2026 (FY2026) - e ainda outro indicador que detalhamos mais abaixo, dificilmente se veriam sinais de preocupação no horizonte da marca japonesa.

Do lado comercial, os números continuam francamente positivos. No primeiro semestre (de abril a setembro, segundo o calendário japonês), a Toyota estabeleceu novos máximos históricos em vendas globais e em produção: 5,27 milhões de veículos comercializados em todo o mundo, o que representa um aumento de 4,7% face ao período homólogo (5,03 milhões).

Este avanço foi sustentado, sobretudo, pela procura robusta na América do Norte - o maior mercado da empresa - onde as vendas cresceram 13,7%, atingindo 1,5 milhões de automóveis. Em paralelo, as vendas de veículos eletrificados (Toyota + Lexus) também chegaram a um novo pico semestral, com uma subida de 11% para 2,47 milhões de unidades, das quais 2,27 milhões são híbridos.

Nem tudo são rosas no paraíso Toyota

Apesar de a procura estar a levar a marca a novos recordes, o lucro operacional da Toyota no mesmo intervalo caiu 18,6%, para 2 biliões de ienes (aprox. 11,3 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual). Com isso, a margem operacional encolheu de 10,6% no primeiro semestre do FY2025 para 8,1% este ano.

O segundo trimestre repetiu a trajetória. Entre julho e setembro, as vendas subiram 2,9%, novamente puxadas pela América do Norte, onde foram entregues 739 mil veículos (+15%). No global, a Toyota vendeu 2,372 milhões de automóveis neste período.

Também neste trimestre o lucro operacional diminuiu (27%), fixando-se em 839,5 mil milhões de ienes (aprox. 4,7 mil milhões de euros), e a margem operacional recuou de 10,1% para 6,8%.

O que está em causa?

As tarifas dos EUA continuam a pesar de forma decisiva nos resultados, um impacto que é agravado por taxas de câmbio menos favoráveis. Nos últimos três meses, os encargos aduaneiros chegaram a 450 mil milhões de ienes (aprox. 2,5 mil milhões de euros). No acumulado semestral, o impacto totaliza 900 mil milhões de ienes, aproximadamente 5,1 mil milhões de euros.

Para o próximo ano, existe a possibilidade de algum alívio. Em julho, Japão e EUA concluíram um acordo comercial que prevê tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos japoneses, abaixo dos 25% inicialmente anunciados por Donald Trump, o que também reduz a pressão sobre a Toyota.

Em contrapartida, o governo japonês assumiu um pacote de investimentos e empréstimos de 550 mil milhões de dólares (cerca de 468 mil milhões de euros) com o objetivo de reforçar a presença da marca nos EUA. Recorde-se que a implantação da Toyota no mercado norte-americano é tão forte que, para muitos consumidores, a empresa é quase vista como uma marca local.

Previsões para o resto do ano

Para a segunda metade do ano fiscal japonês, que termina a 31 de março, a Toyota reviu em alta a sua previsão de lucro operacional: de 3,2 biliões de ienes para 3,4 biliões de ienes (aprox. 19 mil milhões de euros). Ainda assim, esta estimativa continua 28% abaixo dos 4,7 biliões de ienes (aprox. 26,6 mil milhões) registados no FY2025.

A margem operacional deverá baixar de 10% para 6,9%, refletindo o efeito antecipado das tarifas, que a empresa estima que chegue a 1,45 biliões de ienes (aprox. 8,2 mil milhões) até ao fecho do exercício.

Mesmo com essa pressão, a Toyota mantém inalterada a meta de vendas globais - 9,8 milhões de veículos até março do próximo ano. A confirmar-se, será um novo recorde anual, 4,7% acima do volume registado em 2025.

“Em termos de vendas, esperamos uma situação muito positiva daqui para a frente. Estamos a assistir a uma procura muito forte pelos nossos produtos - mal a conseguimos acompanhar”, disse Kenta Kon, diretor-executivo da Toyota.

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