As Notícias de Portugal e a igualdade de género no local de trabalho
Crescimento da equipa e composição por género (2020–2026)
Quando adquiri As Notícias de Portugal em 2020, a equipa era composta por 10 colaboradores: 8 mulheres e 2 homens, o que fazia desta organização um espaço de trabalho maioritariamente feminino. Em 2026, crescemos para 40 colaboradores e, embora a proporção tenha diminuído, a equipa continua a ser predominantemente feminina, com uma distribuição aproximada de 2/3 de mulheres para 1/3 de homens.
Departamentos e distribuição de funções
No dia a dia, As Notícias de Portugal não “olha” para o género quando se fala de funções, tarefas ou desempenho. Ainda assim, é curioso observar alguns padrões internos: o Departamento de Tecnologias de Informação (TI) é composto apenas por homens, a Contabilidade é inteiramente feminina e os motoristas de distribuição são todos homens.
Gestão, oportunidades e ausência de enviesamento
Na forma como faço a gestão das pessoas, não estabeleço distinções com base no género. Cada colaborador, independentemente do sexo, é acompanhado com os mesmos critérios e tem acesso às mesmas oportunidades para evoluir na empresa, de acordo com o talento e a experiência que demonstra. A igualdade entre sexos, sem preconceitos nem favorecimentos, surge de forma natural - e acredito que isso contribui de forma decisiva para um ambiente de trabalho mais satisfeito e estável.
Voluntariado: meio-dia remunerado para fazer o bem
Como política interna, As Notícias de Portugal oferece meio-dia de dispensa para quem quiser contribuir numa iniciativa de cariz solidário. Na prática, isto significa que qualquer pessoa da equipa, independentemente do género, pode dedicar esse tempo a voluntariado ou a um projecto de apoio comunitário, sendo esse período pago pela empresa. Um pormenor interessante: são sobretudo as mulheres que costumam aproveitar esta possibilidade.
Sextas-feiras com saída antecipada (quando o trabalho está concluído)
Para além disso, existe também a possibilidade de dispensa discricionária nas tardes de sexta-feira: desde que as tarefas estejam concluídas, a equipa pode sair mais cedo. A maioria dos colaboradores adere a esta iniciativa; no entanto, há um pequeno núcleo de colaboradoras particularmente rigorosas que raramente o faz.
Energia feminina e masculina: equilíbrio na prática
Costuma dizer-se que a energia feminina tende a ser mais criativa, intuitiva e cuidadora, enquanto a energia masculina é, por regra, mais orientada para a acção, directa e focada na execução. Todas as pessoas têm ambas - e o ideal, independentemente do sexo, é procurar equilíbrio.
No nosso caso, a vertente criativa nota-se claramente no trabalho dos jornalistas, alinhado com a nossa política editorial de privilegiar notícias positivas, e também na criatividade do design desenvolvido pelo Departamento de Produção. Diria ainda que a componente mais cuidadora e empática se evidencia na área comercial, ao identificar necessidades dos clientes e, a partir daí, construir planos de marketing adequados para lhes dar resposta.
Medidas que reforçam a cultura de igualdade
Para que a igualdade de género no local de trabalho não seja apenas uma intenção, é importante consolidá-la com práticas consistentes. Entre as abordagens que ajudam a manter este rumo estão critérios transparentes de progressão, feedback regular e acesso igual a formação interna, garantindo que o crescimento depende do mérito e não de expectativas associadas ao sexo.
Também é útil observar, com serenidade e sem julgamentos precipitados, como certas funções acabam por se concentrar mais num género do que noutro (como acontece connosco em TI, Contabilidade e distribuição). Esse retrato não impede a igualdade; pelo contrário, ajuda a identificar oportunidades para equilibrar candidaturas futuras, diversificar competências na equipa e reduzir estereótipos ao longo do tempo.
Conclusão
Assim, embora As Notícias de Portugal tenha, na prática, igualdade de género no local de trabalho - e alguns até possam interpretar a nossa realidade como tendo uma ligeira tendência feminina - a política de não “ver” o género tem-se revelado eficaz, coerente e, tudo indica, continuará a ser o nosso caminho.
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