Há poucos dias, o porta-aviões nuclear mais moderno da Marinha dos EUA, o USS Gerald R. Ford, comunicou a ocorrência de um incêndio enquanto operava no Mar Vermelho - um episódio confirmado por autoridades militares norte-americanas e sem ligação a quaisquer acções de combate. O fogo teve início a 12 de Março, na principal zona de lavandaria do navio, conforme já tinha sido indicado pelo U.S. Central Command (CENTCOM). Entretanto, surgiram mais informações sobre o que aconteceu.
Declaração oficial do CENTCOM sobre o incêndio no USS Gerald R. Ford (CVN-78)
Segundo o comunicado oficial, “a 12 de Março, o USS Gerald R. Ford (CVN-78) registou um incêndio com origem nos espaços da lavandaria principal do navio”. A mesma nota esclareceu ainda que “a causa do incêndio não esteve relacionada com combate e a situação foi contida. Não há danos na central de propulsão e o porta-aviões mantém-se plenamente operacional”.
As autoridades confirmaram igualmente que dois marinheiros ficaram feridos durante o incidente, embora sem gravidade. De acordo com a actualização da Marinha dos EUA, ambos estão a receber cuidados médicos e encontram-se em condição estável.
Contenção do incidente e apoio técnico da NAVSEA
Apesar de o foco inicial ter sido extinto rapidamente, as equipas a bordo continuaram a realizar trabalhos de controlo de avarias e a avaliar os sistemas que poderiam ter sido afectados. Em paralelo, o Advanced Deployed Regional Maintenance Center do Naval Sea Systems Command (NAVSEA) estava a preparar-se para prestar apoio técnico, com especial incidência na componente eléctrica.
Em navios desta dimensão, incidentes em áreas de apoio - como a lavandaria - tendem a exigir verificações adicionais, não apenas pelo risco de propagação de fumo e calor através de condutas e compartimentos, mas também pelo impacto potencial em circuitos eléctricos e equipamentos auxiliares. Por isso, após a contenção, é habitual intensificar inspecções internas e testar redundâncias para assegurar que a prontidão operacional se mantém inalterada.
Posição no Mar Vermelho e escoltas do grupo de ataque
No momento do incidente, o USS Gerald R. Ford encontrava-se a operar no norte do Mar Vermelho, ao largo de Al Wajh, na Arábia Saudita, acompanhado por unidades de escolta que integram o seu grupo de ataque. Entre elas estavam os contratorpedeiros USS Mahan (DDG-72), USS Bainbridge (DDG-96) e USS Winston S. Churchill (DDG-81), que tinham transitado recentemente o Canal do Suez.
Enquadramento operacional: Operação Epic Fury e acções contra o Irão
O destacamento do grupo de ataque decorre no âmbito da Operação Epic Fury, uma campanha conjunta EUA–Israel dirigida contra o Irão, que se encontra agora na sua segunda semana. Neste contexto, o porta-aviões participou em operações que incluem ataques contra alvos em território iraniano e acções contra unidades navais daquele país.
A presença na região responde, por sua vez, à necessidade de reforçar a postura militar dos EUA no Médio Oriente sob a Operação Epic Fury, conforme as exigências e ordens do Department of Defense, que tem prolongado a missão em várias ocasiões.
Duração da missão e possibilidade de ultrapassar recordes de destacamento contínuo
A tripulação do navio de propulsão nuclear - em destacamento quase contínuo desde Junho de 2025 - tem visto a missão ser estendida repetidamente. Caso o USS Gerald R. Ford se mantenha em operações até meados de Abril, poderá ultrapassar o recorde de 294 dias de destacamento contínuo estabelecido no pós-Guerra do Vietname pelo USS Abraham Lincoln (CVN-72) em 2020. Se a extensão avançar até Maio, a missão aproximar-se-á dos valores de 300+ dias observados durante operações navais no Sudeste Asiático nesse conflito.
A prolongada permanência no teatro de operações também costuma aumentar a pressão sobre ciclos de manutenção e sobre o desgaste humano, exigindo uma gestão cuidadosa de turnos, descanso e reposição de consumíveis. Ainda assim, a confirmação de que não houve danos na propulsão e de que o navio se mantém plenamente operacional indica que as medidas de resposta e recuperação a bordo foram suficientes para preservar a disponibilidade imediata do porta-aviões.
Imagens meramente ilustrativas.
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