As faturas poderão aumentar de forma muito acentuada nos próximos anos.
Um novo relatório, já amplamente comentado, coloca o tema no centro do debate: a Fundação Jean-Jaurès e a empresa Suez, após uma análise detalhada, alertam para uma subida do preço da água que, segundo os autores, tende a tornar-se inevitável para garantir a sustentabilidade deste recurso em todo o território francês. Eis o essencial.
Segundo Arnaud Bazire, director-geral da divisão de água da Suez em França e coautor do relatório, em declarações ao Oeste‑França, existe hoje um problema estrutural: «há um desequilíbrio nos serviços de água, com receitas a cair e investimentos a aumentar».
Para perceber a dimensão do assunto, o relatório recorda que um agregado familiar com um consumo médio anual de 120 m³ já paga, em média, cerca de 4,34 € com IVA por m³: 2,13 € para água potável e 2,21 € para saneamento, o que corresponde a aproximadamente 520 € por ano. O documento sublinha ainda um ponto sensível: em França, são sobretudo os particulares que suportam o financiamento do serviço de água (cerca de 80%), apesar de representarem apenas 25% do consumo total.
Suez e Fundação Jean-Jaurès defendem ajustes no preço da água
De acordo com as conclusões do estudo, será necessário rever o preço da água em alta para acompanhar os custos crescentes da despoluição e o volume de investimento exigido pelo sector, estimado em cerca de 13 mil milhões de euros por ano.
Enquanto isso, autoridades públicas e entidades gestoras têm intensificado os apelos para que os consumidores reduzam o consumo. Do lado da Suez, a orientação proposta passa por aumentar a tarifa fixa (assinatura) e pôr termo à tarifa regressiva de que beneficiam determinadas empresas.
Para além da discussão sobre preços, há igualmente um desafio operacional frequentemente apontado por especialistas: a necessidade de acelerar a renovação de redes envelhecidas e reduzir perdas de água por fugas. Medidas como monitorização mais fina, manutenção preventiva e substituição de condutas podem aliviar a pressão sobre os volumes captados e, indirectamente, sobre o custo final cobrado aos utilizadores.
Outra via que tende a ganhar importância é a diversificação de soluções de gestão da procura, como equipamentos eficientes, reutilização de água para usos compatíveis e campanhas de sensibilização contínuas. Embora não substituam o investimento estrutural, estas acções podem reduzir picos de consumo e melhorar a resiliência do serviço em períodos de maior stress hídrico.
A UFC-Que Escolher mobiliza-se
Por coincidência de calendário, a divulgação do relatório ocorre em paralelo com uma campanha lançada pela UFC-Que Escolher, que denuncia um aumento do custo médio do metro cúbico de água de 16% nos últimos 30 meses, após cerca de uma década de relativa estabilidade.
A associação de defesa do consumidor considera também que esta evolução está ligada à factura da despoluição, que acaba por ser transferida para o utilizador final. Na sua leitura, a água contém resíduos de pesticidas e outros poluentes, o que obriga a operações de limpeza e tratamento cada vez mais caras.
Perante este cenário, a UFC-Que Escolher pede um «reforço dos procedimentos de autorização dos pesticidas» e a adopção de «medidas preventivas de protecção das captações». Por fim, a associação defende ainda que seria útil «um apoio dirigido às pequenas comunas através do aumento da taxa por poluição difusa».
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