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Israel confirmou a compra aos EUA de milhares de bombas guiadas GBU-39/B SDB-I por 289 milhões de dólares.

Militar de farda verifica dispositivo eletrónico junto a uma bomba militar no aeroporto.

Israel confirmou a aquisição, aos Estados Unidos, de um lote que pode chegar às 5.000 bombas guiadas GBU-39/B SDB-I, num contrato avaliado em 289 milhões de dólares (USD) e celebrado com a Boeing. Segundo fontes citadas pela Reuters, o objectivo é reforçar o inventário de munições de precisão da Força Aérea Israelense através de bombas inteligentes lançadas do ar.

De acordo com a mesma informação, o acordo enquadra-se na cooperação militar contínua entre Washington e Telavive. Contactada pela Reuters para comentar pormenores do contrato, a Boeing optou por não prestar declarações.

As fontes indicam ainda que este pacote não está ligado às operações aéreas em curso envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irão, uma vez que as entregas só deverão arrancar daqui a 36 meses. Na prática, o calendário aponta para uma lógica de modernização e reposição de arsenais no médio prazo, e não para necessidades imediatas no teatro de operações.

GBU-39/B SDB-I: alcance, precisão e emprego pela Força Aérea Israelense

A GBU-39/B SDB-I (bomba de pequeno diâmetro, versão I) é uma munição guiada de precisão concebida para ser largada por aeronaves de combate contra alvos a longa distância. Este tipo de arma permite atingir objectivos a mais de 64 km, aumentando o raio de acção útil em ataques de precisão e ajudando a manter as plataformas de lançamento fora do alcance de determinadas defesas.

A incorporação de milhares destas munições tende também a implicar um esforço paralelo de planeamento: definição de prioridades de stock, formação e procedimentos, bem como integração com perfis de missão e sistemas de planeamento de ataque. Mesmo quando a plataforma já é compatível, a gestão de inventário, a certificação de configurações e a preparação operacional são normalmente parte do ciclo até ao emprego sustentado.

Além disso, compras desta dimensão costumam estar associadas a planeamento de disponibilidade industrial e a janelas de produção, sobretudo quando vários aliados disputam capacidade de fabrico e entregas escalonadas. Assim, o prazo de 36 meses é consistente com contratos que procuram garantir posições de entrega e estabilidade logística ao longo de vários anos.

Cooperação EUA–Israel e contratos de defesa recentes

Este novo entendimento soma-se a outros acordos relevantes entre os dois países. No ano passado, a Boeing recebeu do Departamento de Defesa dos EUA (DoD) um contrato de 8,6 mil milhões de dólares (USD) para produzir e entregar caças F-15 a Israel no âmbito do programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS).

Há décadas que os Estados Unidos são o principal fornecedor de armamento de Israel no Médio Oriente, realidade reflectida numa vasta carteira de programas de cooperação e de aquisição de sistemas avançados. Estas transferências abrangem aeronaves, helicópteros de ataque, munições guiadas e diversos sistemas de defesa.

Neste enquadramento, a Reuters noticiou recentemente que a Administração do presidente Donald Trump recorreu a uma autorização de emergência para acelerar a venda de mais de 20.000 bombas a Israel, num negócio estimado em cerca de 650 milhões de dólares (USD), contornando o procedimento habitual de escrutínio pelo Congresso dos EUA.

Em paralelo, um responsável do Departamento de Estado dos EUA referiu que Israel deverá também comprar munições críticas adicionais no valor de 298 milhões de dólares (USD) através de vendas comerciais directas, somando-se a outros acordos militares aprovados entre as partes nos últimos meses.

Já em fevereiro de 2025, o governo norte-americano tinha autorizado a potencial venda de milhares de bombas e munições guiadas para caças da Força Aérea Israelense, conforme notificação enviada ao Congresso através do FMS. O pacote, avaliado em 6,75 mil milhões de dólares (USD), inclui equipamento produzido pela Boeing, L3Harris, ATK Tactical Systems Company LLC e pela Fábrica de Munições do Exército dos EUA em McAlester, Oklahoma, visando reforçar as capacidades operacionais de aeronaves como o F-15I Barak, o F-16I Sufa e o F-35I Adir.

Outros operadores destas bombas GBU-39

Com esta compra, Israel integra um grupo restrito de países que já obtiveram - ou que estão prestes a receber - a GBU-39, num contexto em que os EUA assinaram, ao longo do último ano, vários contratos com aliados para a aquisição deste sistema. Na Europa, destacam-se Ucrânia, Roménia, Polónia e Noruega; na Ásia, a Coreia do Sul.

Imagens meramente ilustrativas.

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