O governo sérvio confirmou oficialmente que adquiriu à China novos mísseis de cruzeiro CM-400, já integrados nos caças MiG-29 ao serviço da Força Aérea Sérvia. A confirmação foi feita pelo próprio presidente, Aleksandar Vučić, depois de, nos últimos dias, terem circulado imagens que rapidamente chamaram a atenção para esta capacidade. O anúncio volta a evidenciar o aprofundamento da cooperação militar entre Belgrado e Pequim, num momento em que a Sérvia procura diversificar as suas fontes de armamento.
CM-400 e MiG-29: nova capacidade de ataque de longo alcance na Força Aérea Sérvia
Antes da confirmação oficial, várias fotografias já tinham deixado claro que os MiG-29 sérvios passaram a transportar armamento de origem chinesa. Entre os equipamentos observados, destacou-se o míssil de cruzeiro CM-400, por transformar um avião de combate de origem russo-soviética numa plataforma com vocação reforçada para ataque a longa distância, prolongando de forma relevante a utilidade operacional destes aparelhos.
Vučić avançou com a validação pública desta aquisição numa entrevista à estação pública RTS TV. Nessa intervenção, indicou não só que as forças armadas já dispõem dos mísseis, como também admitiu que o país poderá avançar com a compra de unidades adicionais à China, aprofundando ainda mais a ligação com Pequim neste domínio.
Dassault Rafale e MiG-29 com CM-400: complementaridade entre plataformas
Este desenvolvimento torna-se particularmente significativo porque, após a confirmação e assinatura de um contrato com a França para a compra de novos Dassault Rafale, muitos analistas assumiram que os Rafale substituiriam quase de imediato os MiG-29. No entanto, a introdução do CM-400 abre espaço para um modelo de emprego conjunto: os caças de origem francesa podem ser orientados para missões de defesa aérea e cobertura, enquanto os MiG-29, reforçados com o CM-400, podem especializar-se em ataque antissuperfície a longa distância, com a vantagem adicional de poderem actuar fora do alcance de determinados sistemas de defesa antiaérea.
Diversificação de fornecedores após dificuldades com material russo
A decisão de procurar novas opções no mercado internacional ganhou peso à medida que a guerra na Ucrânia dificultou o acesso a equipamentos e componentes de origem russa - tradicionalmente o principal eixo de fornecimento militar da Sérvia. Nesse contexto, a compra dos Rafale à França tem sido um dos exemplos mais visíveis da estratégia de diversificação adoptada por Belgrado.
FK-3 (HQ-22) e a cooperação já existente com Pequim
No caso específico da China, a cooperação não é recente. As forças armadas sérvias já operam o sistema de defesa aérea FK-3, versão de exportação do HQ-22 em serviço na Força Aérea do Exército Popular de Libertação (PLAAF). Estes meios foram adquiridos ao abrigo de acordos firmados em 2019, através dos quais o país confirmou a compra de quatro baterias e dos sistemas associados necessários à sua operacionalização.
Integração, treino e sustentabilidade operacional
A integração de um míssil de cruzeiro como o CM-400 numa frota de MiG-29 implica, em regra, adaptações ao nível de sistemas de missão, procedimentos de emprego e formação de pessoal, além de uma cadeia logística dedicada para armazenamento, manutenção e abastecimento. Para a Sérvia, isto pode traduzir-se num investimento continuado em capacidades de suporte e treino, garantindo que a disponibilidade dos mísseis e das aeronaves não fica condicionada por constrangimentos técnicos ou de fornecimento.
Ao mesmo tempo, operar em paralelo plataformas e origens tecnológicas distintas - como Dassault Rafale e MiG-29 com armamento chinês - tende a exigir gestão cuidada de interoperabilidade, planeamento de missões e doutrina. A forma como Belgrado equilibra estas camadas (russa, francesa e chinesa) pode determinar a eficácia real desta complementaridade no terreno.
Sinal para a OTAN no contexto regional dos Balcãs
Esta confirmação oficial é também interpretada como um alerta para a OTAN, que, apesar dos conflitos na ex-Jugoslávia e das tensões persistentes com a Croácia, encara a Sérvia como um parceiro da Aliança Atlântica. A OTAN apoia diversas iniciativas destinadas a reforçar a segurança e a estabilidade na Europa, em geral, e nos Balcãs, em particular - pelo que a consolidação de capacidades e ligações militares com Pequim é acompanhada com atenção acrescida.
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