A Northrop Grumman anunciou, através de um comunicado oficial divulgado ontem, que pretende entregar à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) o primeiro novo bombardeiro furtivo B-21 Raider em 2027. De acordo com a empresa, a aeronave deverá ser recebida na Base Aérea de Ellsworth, no estado do Dakota do Sul.
Segundo a informação partilhada, o B-21 encontra-se na fase final de fabrico nas instalações de Palmdale, na Califórnia, ao mesmo tempo que vai comprovando gradualmente as suas capacidades em campanhas de ensaio realizadas tanto no solo como em voo, conduzidas em diferentes locais do território norte-americano.
B-21 Raider (bombardeiro furtivo): progresso em ensaios no solo e em voo
Tom Jones, actual vice-presidente corporativo e presidente da Northrop Grumman Aeronautics Systems, enquadrou o objectivo de colocar a aeronave ao serviço da USAF, afirmando:
“Colocar o B-21 Raider nas mãos dos nossos operadores e equipas de manutenção da Força Aérea é a missão de milhares de dedicados membros da equipa da Northrop Grumman. Temos demonstrado um desempenho continuamente excelente do B-21 em ensaios no solo e em voo, em parceria com a Força Aérea. A Northrop Grumman concebeu e construiu o bombardeiro furtivo mais avançado do mundo, garantindo o poder aéreo dos Estados Unidos no futuro.”
A propósito do desempenho mencionado, a empresa norte-americana indicou ainda que os resultados obtidos nos testes têm sido melhores do que os previstos nas simulações digitais efectuadas anteriormente, embora sem detalhar em que parâmetros concretos essa melhoria foi observada.
Foi igualmente sublinhado que o recurso a um sistema digital avançado permite preparar as missões com maior rigor e, em paralelo, analisar em tempo real os dados recolhidos durante os voos. Na prática, isto torna possível executar os ensaios com mais rapidez e maior eficiência.
No domínio da manutenção, foi referido que os técnicos integrados na Força de Testes Combinada conseguiram realizar intervenções de um dia para o outro, um aspecto visto como mais uma vantagem da plataforma quando se pensar em futuros destacamentos operacionais.
Aceleração da produção e substituição dos B-1 Lancer e B-2 Spirit
Esta actualização surge num momento em que a Northrop Grumman, em coordenação com a USAF, tem trabalhado para acelerar o ritmo de produção dos novos bombardeiros - um factor considerado determinante para começar a preparar a substituição da frota mais antiga composta pelos B-1 Lancer e B-2 Spirit.
A directora-executiva da empresa, Kathy Warden, apontou que a Northrop Grumman investiu mais de 5 mil milhões de dólares no reforço das suas capacidades de engenharia digital e na infraestrutura de fabrico, com o objectivo de aumentar o ritmo de produção num horizonte de curto prazo.
Neste enquadramento, foi divulgado que os modelos digitais utilizados no programa ajudaram a reduzir em até 50% o tempo necessário para obter a certificação de software. A expectativa é que esta redução se traduza também numa integração mais simples de futuras modernizações tecnológicas destinadas a equipar a plataforma.
A empresa acrescentou que já existe uma rede alargada de até 400 fornecedores distribuídos por mais de 40 estados norte-americanos a suportar o programa. Em termos de impacto humano e industrial, isto corresponde a mais de 8.000 pessoas envolvidas, incluindo efectivos da própria Força Aérea, representando um impulso relevante para o complexo militar-industrial local.
Preparação operacional e integração futura
A entrada em serviço de um novo bombardeiro furtivo implica, além da produção, um esforço continuado de preparação operacional: formação de tripulações, qualificação de equipas de manutenção, criação de stocks de peças e adaptação de procedimentos para exploração segura e eficiente da aeronave. A escolha da Base Aérea de Ellsworth como destino inicial reforça a importância de alinhar infra-estruturas, pessoal e processos com o calendário de entregas previsto.
Em paralelo, a aposta em engenharia digital e em ciclos de certificação mais curtos aponta para um percurso de evolução contínua do B-21 Raider, permitindo que futuras melhorias - sobretudo ao nível de software - possam ser incorporadas com maior previsibilidade e menor impacto na disponibilidade, algo particularmente crítico numa plataforma concebida para operar em ambientes altamente contestados.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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