O Programa de Resiliência de Segurança Fluvial, iniciado no ano passado pela Armada Paraguaia em coordenação com o Governo dos Estados Unidos, prevê para 2026 a chegada de mais embarcações ao Paraguai. A informação foi avançada pelo ministro da Defesa Nacional, general (R) Óscar González, a vários órgãos de comunicação social, na segunda-feira, 12 de janeiro.
No mês de setembro do ano passado, a Armada recebeu a primeira de um total de 10 lanchas rápidas contempladas no programa. A este lote juntar-se-ão ainda duas embarcações de médio porte, cujas dimensões e características técnicas não foram, para já, detalhadas pelo titular da pasta da Defesa.
Segundo explicou o ministro, a distribuição operacional ficará organizada por áreas navais específicas: “Uma embarcação de maior dimensão e cinco de menor porte serão destinadas à área naval de Itapúa (confluência dos rios Paraguai e Paraná, fronteira fluvial do Paraguai com a Argentina). Do mesmo modo, uma embarcação de maior dimensão, com outras cinco de menor porte, seguirá para a área de confluência (zona de fronteira do Paraguai com o Brasil e a Argentina através do rio Paraná). Estas embarcações de menor porte vêm equipadas com metralhadoras, visão noturna, entre outros recursos”.
No que respeita ao calendário de entrega, seis embarcações deverão ser integradas num prazo não superior ao primeiro trimestre deste ano, enquanto as restantes serão incorporadas ao longo do segundo semestre de 2026. Para além do reforço naval, o Programa de Resiliência de Segurança Fluvial inclui também a renovação do equipamento da infantaria, através da aquisição de espingardas automáticas e pistolas.
González sublinhou ainda que a eficácia no terreno depende tanto dos meios como do factor humano: “O combate ao contrabando e às organizações criminosas transnacionais depende das embarcações, mas depende ainda mais da atitude do pessoal. Conseguimos que a Armada melhorasse bastante nesse aspeto. Há muito tempo que não temos relatórios de irregularidades no que toca à forma como se pode gerir a atuação. Melhorámos muito e esperamos continuar a melhorar”.
A modernização de capacidades fluviais, sobretudo em zonas de confluência e fronteira, tende a melhorar não só a resposta a ilícitos como também a capacidade de vigilância, presença e reação rápida em corredores de tráfego intenso. Em ambientes ribeirinhos, a combinação de velocidade, sensores e comunicações é determinante para encurtar tempos de intervenção e aumentar a segurança das patrulhas.
Outro aspeto crítico - frequentemente decisivo para a disponibilidade real dos meios - é a manutenção e a logística (peças, consumíveis, revisões programadas e formação técnica). Uma frota com integração faseada, como a prevista para 2026, exige planeamento para garantir que a entrada em serviço não é limitada por indisponibilidades mecânicas ou por falta de suporte operacional.
Características das lanchas patrulheiras da Armada Paraguaia (Programa de Resiliência de Segurança Fluvial)
- Comprimento: 8 m
- Boca (largura): 2,6 m
- Calado: 60 cm
- Flutuador perimetral de proteção reforçado (espuma especial)
- Convés autoesgotante
- Propulsão: 2 motores fora de borda de 150 hp cada
- Velocidade máxima: 80 km/h
- Autonomia: 500 km
- Peso em vazio: 3 100 kg
- Capacidade de transporte: até 15 pessoas ou 1 200 kg de carga útil
- Consola central com radar de navegação, navegador por satélite, sistema de câmaras de vídeo a 360°, altifalantes, rádios de comunicações, controlo de bombas de esgoto e painéis de instrumentos
- Montagem de armamento à proa para uma metralhadora do tipo M240B (7,62 mm)
- Poste de reboque à proa em aço inoxidável, com proteção/guia de reboque
- Equipamento incluído: coletes salva-vidas e táticos, equipamentos portáteis de combate a incêndios, material de primeiros socorros, sinalizadores (bengalas) e outros itens, além de peças e elementos para manutenção programada
Dados fornecidos pelo Ministério da Defesa Nacional do Paraguai.
Armamento e equipamento para formação (cooperação EUA–Paraguai)
No sábado, 10 de janeiro, chegou ao Paraguai um lote relevante de armas e munições proveniente dos Estados Unidos, enquadrado na cooperação internacional entre os dois países. Este envio integra o Programa de Respostas a Crises e Contingências, cuja execução ficará a cargo de militares do 7.º Grupo de Forças Especiais dos Estados Unidos.
O material será utilizado para a formação do Batalhão Conjunto de Forças Especiais, assegurando a continuidade de um programa exigente de treino com duração total de cinco anos. Deste ciclo, seis meses já tinham sido realizados ao longo de 2025.
Como componente central desta cooperação, foi igualmente assinalado que os instrutores das Forças Especiais norte-americanas já se encontram destacados em território nacional, com o objetivo de conduzir a capacitação prevista.
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