A partir do próximo ano, convém começar já a preparar-se.
A notícia é pesada para o poder de compra: os preços dos combustíveis na bomba deverão subir entre 4 e 6 cêntimos por litro logo a 1 de janeiro. Segundo os profissionais do sector, a principal explicação está em alterações ao mecanismo dos Certificados de Poupança de Energia (CEE).
Certificados de Poupança de Energia (CEE): o Governo diz-se “muito vigilante”
Conforme detalha a BFM, este sistema existe desde 2005 e assenta no princípio do poluidor-pagador. Na prática, os fornecedores de energia têm de financiar intervenções que reduzam o consumo e melhorem a eficiência energética. O mecanismo não só se mantém como, segundo o que é indicado, será reforçado pelo Governo já no próximo ano.
Citado pela AFP, Olivier Gantois, diretor da Ufip Energia e Mobilidade, antecipa um impacto direto para quem conduz:
“Espero que os preços na bomba aumentem (…) na ordem dos 4 a 6 cêntimos por litro.”
Na leitura do responsável, os operadores acabarão por refletir este encargo no preço final, porque as margens líquidas dos distribuidores - aquilo que efetivamente lhes fica - rondam apenas 1 a 2 cêntimos de euro por litro.
Olivier Gantois acrescenta ainda que o custo atual dos CEE, estimado em 11 cêntimos por litro, deverá passar para cerca de 15 a 17 cêntimos num prazo curto. A razão, explica, é que o regime passará a incidir sobre “todos os volumes de energia vendidos em 2026”; por isso, a partir de 1 de janeiro, as obrigações sobem nessa ordem de grandeza.
Questionado pela agência de notícias, o Governo afirma estar “muito vigilante” quanto ao efeito do dispositivo na evolução dos preços em 2026. O Ministério da Economia e das Finanças (conhecido em França como Bercy) refere também que está a trabalhar em cenários de redução do preço da eletricidade, já que os CEE abrangem o conjunto do sector energético.
Um ponto que muitas vezes passa despercebido é que, ao afetar várias formas de energia, a lógica dos Certificados de Poupança de Energia (CEE) pode repercutir-se em cadeia: aumenta a obrigação de financiamento e, sempre que as margens são reduzidas, cresce a tentação de transferir o custo para o consumidor final. Para quem depende do automóvel, pequenas variações por litro tornam-se rapidamente significativas no orçamento mensal.
Atenção à burla na bomba: um esquema que está a aumentar
Como se a subida dos preços não bastasse, há outro problema a ganhar terreno: uma burla na bomba cada vez mais reportada. O método costuma começar com a abordagem de um desconhecido ao automobilista, pedindo para pagar combustível com o cartão de crédito da vítima. Por norma, o valor pedido é baixo, o que faz com que muitos não desconfiem. A pessoa vai-se embora e é aí que o esquema se concretiza.
Um gerente de posto, ouvido pela TF1, descreveu o que acontece a seguir:
“Aqui, se reparar, o bico não fica totalmente encaixado. Isso significa que basta alguém voltar a pegá-lo e continuar a abastecer calmamente até ao limite autorizado, que geralmente é de 150 euros. Quando o extrato da conta chega, vem a surpresa desagradável - e, infelizmente, já é tarde.”
Para reduzir o risco, vale a pena adotar rotinas simples: confirmar sempre que o bico fica bem colocado no suporte, evitar aceitar pedidos de desconhecidos relacionados com pagamento e, se algo parecer estranho, chamar de imediato um funcionário do posto. Em muitos casos, segundos de atenção podem evitar uma perda elevada.
Mais informações sobre este tema estão disponíveis no nosso artigo anterior.
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