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Grupo Volkswagen na corrida pelas baterias de estado sólido de forma inesperada

Homem verifica componente da bateria numa mota elétrica desportiva numa garagem de competição.

O desenvolvimento de baterias de estado sólido tornou-se um dos grandes campos de batalha do setor automóvel, com inúmeras marcas a tentar ser a primeira a levá-las para a estrada em escala. O Grupo Volkswagen, porém, optou por validar esta tecnologia fora do guião habitual.

Grupo Volkswagen e baterias de estado sólido: um protótipo fora do universo dos automóveis

Em vez de apresentar um automóvel, a estreia pública do seu primeiro veículo com esta solução surgiu de forma inesperada: uma mota de competição da italiana Ducati. Vale lembrar que a Ducati faz parte do universo do Grupo Volkswagen através da Audi, o que abre espaço para experiências tecnológicas dentro do grupo em diferentes plataformas.

A protagonista desta demonstração foi uma Ducati V21L modificada, equipada com a bateria QS-5 da QuantumScape - empresa que atua como parceira estratégica da Volkswagen e da sua divisão de baterias, a PowerCo.

O que a Volkswagen e a QuantumScape dizem ter conseguido

De acordo com o comunicado oficial, “esta demonstração representa um avanço significativo na tecnologia das baterias, apresentando as primeiras baterias de estado sólido sem ânodo a passar do laboratório para veículos no mundo real”.

A QuantumScape destacou ainda um conjunto de números associados à tecnologia apresentada:

  • Densidade energética: 844 Wh/L
  • Carregamento rápido: de 10% a 80% em pouco mais de 12 minutos
  • Descarga contínua: nível 10C

Um passo importante, mas a concorrência também acelera

Apesar de ser um marco relevante, esta jogada não deixa o Grupo Volkswagen isolado na corrida. Outros construtores também têm projetos avançados em diferentes variantes da tecnologia.

A Mercedes-Benz já mostrou um protótipo do EQS com baterias semi-sólidas e uma autonomia anunciada de mil quilómetros. A Honda, por sua vez, prepara-se para avançar para a produção das suas próprias baterias de estado sólido. Já a Stellantis aponta para a introdução desta tecnologia no futuro Dodge Charger Daytona, com lançamento previsto para 2027.

Porque faz sentido começar por uma mota de competição

Testar baterias de estado sólido num contexto de competição pode ser uma forma eficaz de acelerar a validação em condições exigentes: ciclos de carga e descarga intensos, pedidos elevados de potência e uma gestão térmica constantemente posta à prova. Ao mesmo tempo, uma plataforma como uma mota pode permitir iterações mais rápidas e uma aprendizagem valiosa antes de escalar a tecnologia para automóveis de grande volume.

Ainda assim, passar de uma demonstração a uma aplicação massificada implica resolver desafios industriais e de custo, além de garantir consistência de desempenho ao longo de milhares de ciclos. O que esta demonstração sugere é que a tecnologia está a sair do laboratório e a ganhar contacto com utilização real - um passo essencial para, mais tarde, chegar aos modelos de produção.

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