Nas Yvelines, muitos proprietários de carros híbridos estão a vendê-los para comprar um diesel. O motivo desta mudança é simples: a sucessão de furtos de baterias que tem deixado os condutores sem alternativas viáveis.
Em Maurepas, Magny-les-Hameaux e também na área urbana de Saint-Quentin-en-Yvelines, o mesmo episódio repete-se, noite após noite. Donos de Toyota C-HR, Prius ou Yaris encontram o automóvel vandalizado: o banco traseiro arrancado, a bateria desaparecida, e sinais de intrusão por todo o habitáculo. Os ladrões actuam como equipas bem coordenadas e escolhem precisamente estes modelos, muito procurados, porque as baterias conseguem ser revendidas por valores elevados no mercado ilegal. Segundo um residente de Maurepas, “eles sabiam exactamente o que vinham buscar”. Em vários casos, os grupos parecem identificar previamente os veículos e, em poucos minutos, deixam para trás proprietários em choque e com prejuízos pesados.
O problema não termina com a falta da bateria. Os danos associados são enormes: cablagens e chicotes eléctricos rasgados, vidros partidos e portas forçadas. A conta cresce rapidamente - entre 2.000 e 3.000 euros apenas pela bateria, mas podendo chegar a 10.000 euros no total das reparações. Mesmo quando existe seguro, a franquia e os limites de indemnização acabam por deixar, muitas vezes, um valor significativo a cargo do proprietário, por vezes de centenas e até milhares de euros. “Não vou ficar com menos de 1.000 euros para pagar”, contou um condutor ao Le Parisien em Junho do ano passado. Além disso, muitos têm de esperar meses até voltar a ter o carro, devido à falta de peças e à sobrecarga das oficinas.
A tentação do diesel nas Yvelines: quando a tranquilidade pesa mais do que o híbrido
Perante a repetição dos furtos, instala-se o cansaço. “As autoridades empurram-nos para modelos mais ‘verdes’, mas no fim pagamos uma factura demasiado pesada. Não compensa”, resume uma vítima, decidida a desfazer-se do híbrido e regressar ao diesel. Outro automobilista, que pagou 20.000 euros por um Toyota em segunda mão há menos de dois anos, tem agora um plano claro: “Reparo-o e vendo-o para comprar um bom diesel. Avisaram-me na compra que é um dos modelos com mais furtos, mas pronto, risco zero não existe em lado nenhum. Agora, já percebi”.
Este regresso ao diesel, muitas vezes apontado pelo seu impacto ambiental, é explicado pelos proprietários como uma procura de previsibilidade e descanso: menos receio de acordar com o carro destruído e menos incerteza sobre custos e prazos. As vítimas criticam também a falta de segurança em parques de estacionamento e a passividade de alguns senhorios. “Há oito meses que andamos a lutar com o senhorio porque os portões do estacionamento deixaram de funcionar; entra-se lá como se fosse uma passagem pública”, protesta um morador de Maurepas.
Para reduzir o risco, alguns condutores acumulam medidas: duplo fecho, parafusos anti-furto, alarmes, aplicações de rastreio e até o aluguer de uma garagem fechada. Ainda assim, estas soluções têm custos adicionais e não garantem protecção total contra redes organizadas e persistentes. Fóruns e vídeos especializados multiplicam-se com recomendações, um sinal de que a preocupação se tornou generalizada.
A par das medidas individuais, muitos residentes defendem respostas colectivas: melhor iluminação, videovigilância nos parques e uma manutenção eficaz dos acessos (portões e barreiras) para dificultar entradas fáceis. Em bairros onde o estacionamento é partilhado, a coordenação entre condomínio, senhorio e autarquia pode fazer a diferença na dissuasão.
Há também um efeito em cadeia no mercado: o receio destes furtos afecta a confiança na compra de híbridos usados e pode pressionar os custos do seguro e o valor de revenda. Para várias famílias, a decisão de mudar para diesel não surge por preferência tecnológica, mas por cálculo financeiro e por necessidade de voltar a ter um automóvel utilizável sem interrupções prolongadas.
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