A Marinha Francesa recebeu a última das 18 aeronaves ATL-2 Atlantique 2 modernizadas para a configuração Standard 6, encerrando formalmente o programa de atualização desta frota de patrulha e vigilância marítima. A entrega foi realizada a 17 de fevereiro pela Direção-Geral do Armamento (DGA) na Base Aeronaval de Lann-Bihoué, consolidando a modernização integral prevista no âmbito deste plano.
ATL-2 Standard 6: sensores atualizados e reforço da guerra antissubmarina (ASW)
De acordo com a DGA, o 18.º e último Atlantique 2 (ATL-2) atualizado integra sensores modernizados e melhorias destinadas a elevar o desempenho operacional. No centro das alterações estão o reforço das capacidades de guerra antissubmarina (ASW) e uma maior eficácia no controlo do ambiente aero-marítimo, domínios considerados estratégicos para a defesa francesa.
O objetivo do programa passou, simultaneamente, por prolongar a vida útil operacional do ATL-2 e por alinhar a plataforma com as exigências tecnológicas atuais, assegurando que a aeronave se mantém adequada às missões contemporâneas de patrulha, vigilância e combate no mar.
Como foi feita a modernização: Sabena, Dassault Aviation e a base Bréguet 1150 Atlantic
O processo de modernização foi executado pela Sabena, enquanto subcontratada da Dassault Aviation, com a missão de adaptar a aeronave - originalmente derivada do Bréguet 1150 Atlantic - ao Standard 6.
Como marco intermédio do programa, o Ministério das Forças Armadas francês tinha anunciado, em abril de 2023, a receção e entrega do 11.º ATL-2 modernizado na mesma Base de Lann-Bihoué, sinalizando a progressão do calendário até ao fecho agora confirmado.
Uma frota histórica em Lann-Bihoué e a transição para uma configuração tecnológica unificada
Há décadas que a frota ATL-2 opera a partir da Base Aeronaval de Lann-Bihoué, cumprindo missões de patrulha marítima, vigilância e guerra antissubmarina. Com a conclusão das 18 modernizações planeadas, a França consolida a passagem para uma configuração tecnológica unificada no seu núcleo operacional, embora o inventário total de Atlantique 2 seja de 22 aeronaves.
Esta uniformização tem impacto direto na disponibilidade: uma frota alinhada numa mesma configuração tende a simplificar ciclos de manutenção, gestão de sobressalentes e atualização de procedimentos. Também facilita a padronização da formação das tripulações e da doutrina de emprego, reduzindo diferenças entre aeronaves e acelerando a preparação para missões.
Paralelamente, a modernização do ATL-2 mantém-se particularmente relevante num contexto em que a vigilância marítima exige persistência e capacidade de deteção: desde o acompanhamento de atividades em áreas marítimas sensíveis até ao apoio a forças navais e à proteção de linhas de comunicação no mar, a plataforma atualizada continua a ser um elemento central do dispositivo francês.
Substituição do ATL-2: Airbus Defence and Space e Thales avançam com o A321 MPA
Em paralelo com a modernização, a França está a avançar com planos para substituir o ATL-2 através do desenvolvimento de uma nova aeronave de patrulha marítima. Ao abrigo de um contrato assinado com a DGA, a Airbus Defence and Space, em parceria com a Thales, irá conduzir 24 meses de estudos de avaliação de riscos para preparar o lançamento da produção até ao final de 2026.
O projeto prevê a militarização do Airbus A321XLR, sob a designação A321 MPA (Aeronave de Patrulha Marítima), como futura plataforma para assegurar a continuidade - e evolução - da capacidade francesa de patrulha marítima.
Sobre este programa, a Airbus referiu:
“Cabe à DGA e à Marinha Francesa definir a necessidade. A frota Atlantique 2 é composta por 22 aeronaves.”
Segundo as projeções atuais, o novo A321 MPA deverá entrar ao serviço entre 2030 e 2040, completando a transição iniciada com a modernização dos ATL-2 e assinalando a evolução futura da patrulha marítima da Marinha Francesa.
Imagens obtidas junto da Marinha Francesa.
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