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A Força Aérea dos EUA pode abrir uma segunda linha de produção para comprar 145 bombardeiros furtivos B-21 Raider.

Três homens em uniforme azul discutem um plano junto a uma mesa, com um avião militar preto ao fundo num aeroporto.

A Força Aérea dos EUA está a ponderar abrir uma segunda linha de produção para acelerar o fabrico dos seus novos bombardeiros furtivos B-21 Raider, com o objectivo de chegar a até 145 aeronaves e colocar a frota operacional o mais depressa possível. A possibilidade ganha força poucas semanas depois de o Pentágono ter fechado com a Northrop Grumman um acordo superior a 4,5 mil milhões de dólares, entendido como um sinal claro de que o ritmo de produção do programa poderá ser intensificado.

Segunda linha de produção do B-21 Raider: o que está em cima da mesa

O tema foi levado ao Congresso pelo Almirante Richard Correll, actual comandante do Comando Estratégico dos EUA, ao abordar os investimentos ligados ao programa: “É evidente que foram feitos investimentos para aumentar a cadência de produção e, potencialmente, abrir uma segunda linha de produção. A decisão ainda não foi tomada, mas é claro que o B-21 representa uma capacidade verdadeiramente relevante, tanto do ponto de vista convencional como nuclear.”

Correll tem sido uma das vozes mais influentes a defender a meta de 145 B-21 Raider, argumentando que o patamar inicialmente apontado - 100 aparelhos - já não chegaria para as exigências actuais. Esta avaliação, também partilhada por oficiais de alta patente da Força Aérea dos EUA, parte da ideia de que são necessárias unidades adicionais para substituir plataformas envelhecidas, como o B-1 Lancer e o B-2 Spirit, que continuam a ser empregues em missões de combate no Médio Oriente no âmbito da Operação Epic Fury. Para analistas norte-americanos, o simples facto de se estudar uma segunda linha de montagem é, por si só, um indício de que essa necessidade está a ser tratada com urgência.

Apoio no Congresso dos EUA e custos para o Tesouro

Se esta leitura estiver correcta, vários meios especializados já avançaram que um aumento do número de B-21 a produzir reúne apoio no Congresso dos EUA, tanto entre Republicanos como entre Democratas. Entre os exemplos frequentemente citados contam-se o congressista do Nebraska Don Bacon (R) e o seu homólogo da Califórnia George Whitesides (D). Ainda assim, não se trata de um passo menor: estabelecer uma nova linha de produção implicaria despesas adicionais significativas para o Tesouro dos EUA, para além das verbas já previstas para industrialização, integração de sistemas e expansão da cadeia de fornecimento.

Uma segunda linha também teria implicações práticas que vão além do número de aeronaves: seria necessário garantir capacidade estável de componentes críticos, mão-de-obra altamente especializada e uma cadência de testes e validações compatível com os requisitos de baixa observabilidade. Em paralelo, a própria Força Aérea teria de preparar o “ecossistema” do programa - infra-estruturas, formação de tripulações, logística e manutenção - para absorver mais aeronaves num período mais curto, sem comprometer a disponibilidade operacional.

Calendário: quando chega o primeiro B-21 à Força Aérea dos EUA?

Para já, convém sublinhar que a Força Aérea dos EUA não deverá receber o seu primeiro B-21 Raider antes de 2027, de acordo com uma declaração oficial da Northrop Grumman divulgada a 23 de Fevereiro. As informações disponíveis indicam que a primeira aeronave se encontra numa fase avançada do processo, após ter passado por vários testes e avaliações nas instalações da empresa em Palmdale, Califórnia. Segundo o que foi divulgado, o desempenho observado teria superado as previsões iniciais obtidas em simulação digital.

Por outro lado, a forma como o B-21 será introduzido em serviço - com períodos de ensaio operacional, validação de software e integração de doutrina - poderá ser tão determinante quanto a velocidade da produção. Em programas desta complexidade, qualquer aceleração industrial tende a ser acompanhada por reforço dos procedimentos de garantia de qualidade e por um planeamento mais exigente da fase de entrada em operação, para evitar estrangulamentos depois da entrega.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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