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Dinamarca canaliza para a Ucrânia as receitas da venda de 24 F-16 à Força Aérea Argentina

Dois homens de fato formal apertam as mãos em frente a um jato de combate, com bandeiras da Dinamarca, Ucrânia, NATO e Argent

A Dinamarca abriu um novo capítulo no seu compromisso com a defesa europeia ao anunciar que os montantes obtidos com a venda de 24 caças F-16 à Força Aérea Argentina serão doados à Ucrânia. De acordo com o Ministério da Defesa dinamarquês, as receitas - cerca de 600 milhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente 86 milhões de dólares) - serão transferidas em 2026. A este valor junta-se ainda um reforço de 3,8 mil milhões de coroas (cerca de 545 milhões de dólares) para o Fundo da Ucrânia, consolidando Copenhaga como um dos principais aliados europeus de Kiev no apoio militar.

Dinamarca e Ucrânia: reforço do Fundo da Ucrânia em 2026

Desde o início da guerra com a Rússia, a Dinamarca tem mantido um apoio contínuo à capacidade defensiva ucraniana, com contribuições superiores a 70 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 10 mil milhões de dólares) no período entre 2022 e 2028. Neste enquadramento, o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, sublinhou que “o apoio à defesa da Ucrânia também contribui para a defesa da Europa e da Dinamarca”, defendendo que a segurança europeia depende, em grande medida, da resiliência ucraniana.

Com a expansão recente do fundo e com a doação proveniente da operação dos F-16, a Dinamarca antecipa que o seu apoio total à Ucrânia em 2026 atinja 14 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 2 mil milhões de dólares).

Além do valor financeiro, este tipo de apoio tende a ter impacto na previsibilidade do planeamento ucraniano: quando os compromissos são anunciados com antecedência e com calendário definido, torna-se mais fácil preparar aquisições, manutenção e ciclos de treino, em particular em áreas onde a continuidade logística é determinante.

OTAN e modernização: Dinamarca aponta a 3,5% do PIB em defesa

A Dinamarca prevê alcançar, em 2026, uma despesa em defesa equivalente a 3,5% do PIB, posicionando-se entre os membros mais empenhados da OTAN. Esta orientação integra uma estratégia de modernização acelerada das Forças Armadas, focada em reforçar a capacidade defensiva europeia perante o actual contexto geopolítico.

Desde Março de 2023, o apoio dinamarquês é canalizado através da Fundação Ucrânia, um mecanismo que coordena a cooperação militar, humanitária e industrial com Kiev e que foi adoptado por outros parceiros da União Europeia, seguindo o chamado “modelo dinamarquês”.

Venda de 24 F-16 Fighting Falcon à Força Aérea Argentina e o programa Peace Condor

Em paralelo, a venda de 24 caças F-16 Fighting Falcon à Força Aérea Argentina, formalizada em Abril de 2024, representou um marco para a defesa argentina. O contrato foi assinado na Base Aérea de Skrydstrup, com a presença do então ministro da Defesa argentino Luis Petri e do seu homólogo dinamarquês, formalizando uma operação avaliada em cerca de 300 milhões de dólares. O pacote incluiu formação, apoio logístico e simuladores, contando com os Estados Unidos como facilitador do acordo.

A entrega dos primeiros seis caças operacionais em Dezembro de 2025 assinalou o início da fase activa do programa Peace Condor. Estas aeronaves - quatro F-16BM (biposto) e dois F-16AM (monoposto) - têm os primeiros voos operacionais previstos para Março de 2026, representando a recuperação da capacidade supersónica na Força Aérea Argentina. O programa inclui ainda a capacitação completa de pilotos e técnicos, a disponibilização de simuladores DART e o suporte logístico indispensável para assegurar a operação continuada da frota.

A concretização de um pacote desta natureza também costuma exigir uma adaptação gradual das infra-estruturas e dos procedimentos, para que a integração de aeronaves, treino e manutenção avance ao mesmo ritmo - um aspecto que, apesar de ser menos visível, é decisivo para sustentar a disponibilidade operacional.

Porque é que as receitas dos F-16 seguem para Kiev

O destino dado aos recursos gerados pela venda à Argentina ganha especial relevância por ter sido redireccionado para a defesa ucraniana. A decisão evidencia não só uma opção com elevado peso estratégico, como também a crescente interligação entre programas de defesa europeus e latino-americanos num cenário internacional marcado pela guerra russo-ucraniana - um conflito que continua a afectar a estabilidade europeia e cujo desfecho permanece incerto.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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