A meio da semana já se desenha um aumento muito acentuado no preço dos combustíveis em Portugal. Em declarações à SIC Notícias, Mafalda Trigo, vice-presidente da ANEREC - Associação Nacional de Revendedores, antecipou que a subida poderá ultrapassar os 10 cêntimos por litro já na próxima semana.
Se esta previsão se confirmar, estaremos perante uma das maiores escaladas dos últimos anos, em linha com o salto de 14 cêntimos por litro observado em março de 2022, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Conflito no Irão e Estreito de Ormuz: por que razão o preço do petróleo está a disparar
A valorização rápida do petróleo está a ser impulsionada pelo agravamento do conflito no Irão e pelo encerramento do Estreito de Ormuz. Ainda que Washington tenha procurado desvalorizar o efeito de um bloqueio, na prática o movimento de navios numa das principais rotas do comércio energético mundial ficou condicionado.
O Estreito de Ormuz é uma passagem crucial para o escoamento de petróleo proveniente do Golfo Pérsico e concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo bruto. De acordo com a AlixPartners, atravessam este corredor marítimo mais de 20 milhões de barris por dia.
Na manhã de quarta-feira, 4 de março, o barril cotava em 83,52 dólares. Antes do início da ofensiva, o valor situava-se perto dos 72 dólares. Analistas admitem que a cotação possa aproximar-se rapidamente dos 100 dólares.
Preço dos combustíveis: quanto pode subir em Portugal
Segundo Mafalda Trigo, se a semana tivesse terminado na terça-feira, os aumentos projetados apontariam para 12 a 13 cêntimos por litro. Ainda assim, a responsável recordou que os preços que vigoram na semana seguinte só ficam efetivamente fechados na sexta-feira.
A vice-presidente da ANEREC salientou também que Portugal dispõe de reservas suficientes “para bastantes meses”, afastando, por agora, um cenário de falta de produto.
Um ponto importante é que o valor final pago pelo consumidor não reflete apenas a cotação do petróleo: entra igualmente a evolução das margens de refinação e distribuição, custos logísticos e a própria dinâmica concorrencial entre postos. Por isso, mesmo com o barril a subir de forma semelhante, a variação por litro pode não ser idêntica em todas as semanas - e poderá sentir-se de forma diferente entre regiões e marcas.
Para consumidores e empresas, um aumento desta dimensão tende a repercutir-se no custo do transporte e, por arrasto, em bens e serviços que dependem de cadeias logísticas rodoviárias. Em períodos de forte volatilidade, pode ser útil planear deslocações, comparar preços entre postos e, quando aplicável, rever políticas internas de frotas (rotas, consumos e manutenção), reduzindo desperdícios sem comprometer a atividade.
E o gás?
Além do petróleo, o Estreito de Ormuz é igualmente determinante para o Gás Natural Liquefeito (GNL). Cerca de 15% do gás natural consumido na Europa tem origem no Catar. Desde o início do conflito, os preços internacionais do gás avançaram mais de 50%, refletindo o receio de uma eventual quebra no abastecimento.
No caso de Portugal, o impacto direto poderá ser menos expressivo, já que o país compra sobretudo gás à Nigéria, aos EUA e à Rússia (aproximadamente 5% do total).
Previsões para o fim do conflito?
Até agora não há sinais de um cessar-fogo. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a ofensiva continuará “o tempo que for necessário”, apontando para um cenário que poderá prolongar-se por várias semanas.
O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, reconheceu que o Governo poderá avançar com medidas de mitigação se o impacto nos preços da energia se agravar, à semelhança do que aconteceu após o início da guerra na Ucrânia.
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