A Emirates, companhia aérea sediada no Dubai, fechou um novo acordo de parceria financeira com o HSBC que lhe abre a porta à incorporação, em regime de leasing, de cinco novos Airbus A350, através de uma estrutura de financiamento conhecida como JOLCO. Na prática, o banco foi mandatado para montar um modelo que permite à Emirates operar os novos aviões sem ter de os comprar directamente à Airbus.
Apesar de a Emirates estar entre as transportadoras com capacidade para adquirir aeronaves com capitais próprios, nem todas as companhias dispõem da liquidez necessária ou de um modelo financeiro que justifique o pagamento imediato de dezenas (ou centenas) de milhões de euros ou dólares a fabricantes como a Boeing e a Airbus. No caso da Emirates, a situação é ainda mais particular: a empresa acabou por se tornar proprietária de parte dos seus Airbus A380, que anteriormente eram operados com recurso a parceiros de leasing. Já na renovação mais recente, com Airbus A350 destinados a substituir gradualmente os Boeing 777, a transportadora volta a recorrer a investidores para reforçar a frota com novos activos sem suportar o custo inicial de uma compra directa.
Nesse enquadramento, o HSBC assegurou o financiamento da aquisição de cinco aeronaves junto da Airbus, estando um sexto aparelho em perspectiva. Após um período prolongado com pouca renovação desde a introdução dos A380, a Emirates não utilizava esta solução de financiamento há cerca de seis anos. A relação entre o HSBC e a Emirates é antiga e inclui operações ligadas ao financiamento de aviões: segundo comunicado da própria instituição, o banco terá financiado a primeira aeronave para a companhia em 1985. Importa ainda sublinhar que todas as encomendas efectuadas à Airbus para A350-900 deverão ser entregues até 2028.
Leasing JOLCO: a fórmula japonesa para financiar aeronaves desde os anos 80
O JOLCO (Japanese Operating Lease With Call Option) é um formato de leasing que nasceu no Japão na década de 1980. Beneficiando de incentivos fiscais associados ao leasing, vários investidores institucionais japoneses procuraram oportunidades fora do país, tipicamente através de um locatário estrangeiro - como uma companhia aérea. Este tipo de estrutura ganhou relevância não só no sector da aviação, mas também no transporte marítimo. No fim do contrato, o operador pode, em muitos casos, recomprar a aeronave, algo que a Emirates já fez em diferentes ocasiões com os seus A380.
No modelo agora utilizado, o HSBC foi encarregado de estruturar a operação e coordenar o financiamento, mas não é o banco que coloca directamente o capital nos aviões. O investimento é suportado por investidores japoneses, que aportam os fundos e usufruem de condições fiscais favoráveis - o que pode reduzir o custo total do leasing quando comparado com um empréstimo tradicional. Para a Emirates, esta via também funciona como uma forma de mitigar riscos ligados ao calendário de entrega e à entrada em serviço dos aparelhos. Em contrapartida, a companhia passa a estar exposta ao risco cambial associado ao iene.
Emirates, HSBC e Airbus A350: o que muda na gestão de frota
Para além do impacto financeiro, a introdução de A350-900 implica trabalho operacional significativo: planeamento de manutenção, preparação de peças sobresselentes, certificações internas e formação de tripulações. Ao optar por leasing com opção de compra, a Emirates ganha flexibilidade para ajustar a dimensão da frota ao desempenho das rotas e à evolução da procura, mantendo aberta a possibilidade de ficar com os aviões no final do contrato caso isso faça sentido.
Este tipo de financiamento tende também a tornar mais previsível a gestão de tesouraria ao longo do ciclo de vida do activo, ao transformar uma parte relevante do investimento inicial em pagamentos faseados. Num contexto em que as entregas da Airbus se estendem até 2028, esta previsibilidade pode ser particularmente útil para acomodar eventuais alterações de prazos, janelas de manutenção e reconfigurações de cabine, sem concentrar o esforço financeiro no momento de aquisição.
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