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O Miura do “The Italian Job” foi restaurado pela… Lamborghini

Carro clássico desportivo laranja estacionado em espaço interior com parede de vidro e equipamento de cinema vintage.

Lançado em 1969, “Um Golpe em Itália” acabou por ficar, para muita gente, mais associado à refilmagem de 2003 - com Mark Wahlberg, Charlize Theron e Edward Norton - do que à versão original, em que Michael Caine ocupava o centro da narrativa.

Ainda assim, quer se fale do clássico de 1969 quer da versão de 2003, há um elemento que nunca muda: os verdadeiros protagonistas de quatro rodas são sempre três Mini Cooper (naturais das gerações correspondentes a cada época). Talvez por isso passe tantas vezes despercebido um detalhe curioso: no filme original, o primeiro automóvel a surgir em cena não é um Mini, mas sim um Lamborghini Miura.

Lamborghini Miura em “Um Golpe em Itália”: a cena de abertura

O Miura aparece logo no arranque do filme, a serpentear por uma estrada de montanha - o tipo de cenário que parece feito à medida do modelo - até ao desfecho abrupto: uma colisão com uma máquina de terraplanagem (colocada de forma deliberada) mesmo à saída de um túnel.

O exemplar de que falamos foi um dos dois Lamborghini Miura utilizados pela Paramount na produção de 1969. Décadas mais tarde, este mesmo carro foi alvo de um restauro completo levado a cabo pela própria Lamborghini.

O Miura restaurado

Depois de terminadas as filmagens, o Miura acabou por ser vendido em Roma - e a história mais repetida sobre essa transacção diz que terá sido entregue ao comprador como se fosse novo. Ao longo de 50 anos, o carro passou por vários proprietários, até que foi finalmente localizado numa colecção privada no Liechtenstein.

Assim que ficou confirmada, sem margem para dúvidas, a sua participação em “Um Golpe em Itália”, entrou em cena o departamento Lamborghini Polo Storico, dedicado a recuperar e preservar qualquer modelo da marca desde que anterior a 2001. O trabalho avançou com o objectivo de devolver o carro às especificações e ao aspecto que o tornaram reconhecível no grande ecrã, com o restauro concluído a tempo do 50.º aniversário do lançamento do filme.

A escolha do laranja e o segundo Miura do filme

A cor viva - um laranja chamativo - não foi um capricho tardio. Foi precisamente essa tonalidade que justificou a escolha do carro para as filmagens: a Lamborghini já tinha um Miura acidentado pintado no mesmo tom, perfeito para as sequências em que o automóvel aparece danificado após o embate. Esse era, de facto, o segundo Miura usado na produção de 1969: o que surge já sinistrado.

Porque é que este restauro tem peso na história da Lamborghini

Além da ligação ao cinema, o Lamborghini Miura é um dos modelos mais emblemáticos da marca e um ícone da era dos superdesportivos clássicos. Recuperar um exemplar com historial cinematográfico acrescenta uma camada rara de valor: não se trata apenas de devolver um automóvel à estrada, mas de preservar um objecto cultural com identidade própria - ao mesmo tempo automóvel e peça de memória colectiva.

Também por isso, iniciativas como as do Polo Storico tendem a focar-se na autenticidade: materiais, acabamentos, configuração e detalhes visuais contam tanto como a mecânica. Num carro com passado em filme, essa exigência é ainda maior, porque o objectivo não é só restaurar - é reconstituir com rigor o Miura que o público viu, e continua a reconhecer, desde 1969.

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