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O preço do petróleo volta a disparar e não parece que vá abrandar tão cedo.

Homem a abastecer carro num posto de gasolina enquanto consulta um recibo ou lista de preços.

Podia ter parecido que o mercado estava a acalmar. No entanto, nesta terça-feira, 17 de março, os preços do petróleo voltaram a subir, empurrados pela guerra no Irão - e as projecções para o curto prazo apontam para um cenário pouco animador.

A escalada era previsível. Na sequência directa dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel em território iraniano, Teerão avançou para o fecho do Estreito de Ormuz, um corredor marítimo estreito entre o Irão e Omã. O problema é enorme: por ali passa cerca de 20% do petróleo mundial, além de volumes muito elevados de gás natural.

O regime iraniano mostra-se decidido a impedir a passagem de navios-cisterna pelo estreito: não só intensificou ataques com drones, como também começou a colocar minas na zona. Com receio de serem atacados ou incendiados, muitos navios ficaram parados, travando o tráfego. Segundo o New York Times, a administração Trump terá subestimado tanto a dimensão da resposta iraniana como, sobretudo, a capacidade de Teerão para bloquear a navegação.

Estreito de Ormuz e a guerra no Irão: nova escalada nos preços do petróleo

É o resto do mundo que acaba por pagar. Depois de uma pausa breve na segunda-feira, o mercado voltou a reagir em alta. O Brent, referência nos mercados globais, ultrapassa agora os 103 dólares por barril (cerca de +3%). O mesmo padrão surge no WTI, equivalente norte-americano, que ronda os 97 dólares por barril.

As palavras do secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, não ajudam a acalmar. Em entrevistas no domingo, 15 de março, às cadeias ABC e NBC, admitiu que não consegue dar “qualquer garantia” de descida dos preços nas próximas semanas. A prioridade de Washington passa primeiro por degradar as capacidades militares iranianas; a reabertura do estreito ficaria para depois.

Entretanto, os apelos de Donald Trump para obter apoio dos aliados na missão de proteger o Estreito de Ormuz continuam, por agora, sem resultados visíveis. A falta de resposta terá irritado o presidente norte-americano, que passa a ameaçar a OTAN com um “futuro muito mau”.

Que consequências para os consumidores?

Nos Estados Unidos, o efeito já se nota nos postos de combustível: o preço da gasolina subiu 27% desde o início da guerra, chegando a quase 3,79 dólares por galão, o que equivale a cerca de 1,00 dólar por litro. O diesel avançou ainda mais depressa, com um aumento de 34%. Na Europa, o impacto deverá surgir de forma gradual, não apenas nas tarifas de energia, mas também nos preços de bens de consumo corrente, devido ao encarecimento do transporte e da produção.

Perante a dimensão do choque, a Agência Internacional da Energia (AIE) anunciou há dias a libertação de 400 milhões de barris (aproximadamente 63,6 mil milhões de litros) para tentar amortecer a pressão nos mercados.

Para países como Portugal, este tipo de subida tende a reflectir-se em cadeia: custos mais elevados para transportadoras, agricultura e indústria, maior pressão sobre a inflação e, em muitos casos, reajustes nos preços finais antes mesmo de o petróleo se estabilizar. Além disso, quando a incerteza se prolonga, o mercado costuma incorporar um “prémio de risco” que pode manter os combustíveis caros mesmo com oscilações diárias.

Num contexto assim, empresas e consumidores procuram alternativas para reduzir exposição: optimização de rotas e logística, reforço de eficiência energética e, sempre que possível, substituição parcial por electricidade ou outros combustíveis. Ainda assim, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer condicionado, a margem de manobra é limitada, porque a oferta global continua vulnerável a interrupções súbitas.

Chris Wright assume o impacto para quem paga a factura, descrevendo-o como uma “dor a curto prazo” que, na sua perspectiva, serviria para alcançar “um futuro melhor”.

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