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USS Gerald R. Ford (CVN-78) deixa as Caraíbas e ruma ao Médio Oriente

Porta-aviões no mar com vários caças na pista de decolagem e tripulantes a pé a bordo.

Vários relatórios - sustentados por comunicações oficiais e por Inteligência de Fontes Abertas (OSINT) - confirmam que o porta-aviões nuclear da Marinha dos Estados Unidos USS Gerald R. Ford (CVN-78), acompanhado pelos navios de escolta do seu Grupo de Ataque de Porta-Aviões, abandonou recentemente a região das Caraíbas e iniciou deslocação para o Médio Oriente. A alteração de rumo do navio líder da nova classe Ford foi seguida por fontes OSINT, reforçando a leitura de um reposicionamento de alto nível de alguns dos mais relevantes meios militares norte-americanos à escala global.

Os dados mais recentes de OSINT situam o USS Gerald R. Ford no Atlântico Norte, em navegação na direcção do Estreito de Gibraltar, um ponto de passagem que antecipa a sua entrada no Mediterrâneo e, posteriormente, a aproximação à área de operações do Comando Central.

Operações anteriores do USS Gerald R. Ford nas Caraíbas (USSOUTHCOM)

Antes desta nova missão, o USS Gerald R. Ford - descrito como o porta-aviões mais moderno e de maior dimensão em serviço - encontrava-se destacado nas Caraíbas, inserido em actividades sob a área de responsabilidade do Comando Sul dos Estados Unidos (USSOUTHCOM).

Após a chegada à região, em novembro de 2025, o navio executou diversas tarefas, exercícios e missões de apoio no âmbito da Operação “Lança do Sul”, promovida pela Casa Branca contra redes criminosas e de tráfico de droga, operação que culminou com a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Reconfiguração regional e reforço no Médio Oriente

Meses depois, e num contexto de pressão crescente sobre o Irão devido ao seu programa nuclear, o Departamento de Defesa reforçou e reorientou a presença naval para o Médio Oriente ao enviar o USS Gerald R. Ford, que deverá juntar-se em breve ao USS Abraham Lincoln (CVN-72), já a operar no Mar Arábico.

Esta deslocação implica a transição do CVN-78 para a área de responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos (USCENTCOM) e reflecte o peso que a actual administração republicana atribui à conjuntura no Médio Oriente e às negociações em curso com o regime iraniano.

Para além do impacto operacional, a escolha de um porta-aviões como o Gerald R. Ford funciona também como um sinal estratégico: a presença de um Grupo de Ataque de Porta-Aviões tende a aumentar a capacidade de dissuasão, a flexibilidade de resposta e a projecção de poder, sem depender imediatamente de infra-estruturas em terra.

Em paralelo, a travessia rumo ao Estreito de Gibraltar sublinha a importância dos corredores marítimos e da coordenação com parceiros regionais, uma vez que a passagem por áreas de tráfego intenso exige planeamento logístico, cobertura e gestão rigorosa do ritmo de operações do grupo de escolta.

Elevada procura operacional e extensão do destacamento

A transferência do USS Gerald R. Ford para o Médio Oriente ocorre num período de forte exigência sobre a frota norte-americana de porta-aviões de propulsão nuclear. Além do Grupo de Ataque do USS Abraham Lincoln já destacado, encontram-se também na região aeronaves adicionais e navios de apoio.

Neste enquadramento, o movimento do Ford chama ainda a atenção para a duração do seu destacamento, com foco no período prolongado de operações sem entrada em porto para manutenção e reparações. Caso permaneça no teatro de operações até abril ou maio, o CVN-78 poderá ultrapassar 200 dias consecutivos de actividade, aproximando-se dos destacamentos superiores a 300 dias realizados por porta-aviões norte-americanos no Golfo de Tonquim durante a Guerra do Vietname.

Precedente recente: dois porta-aviões nucleares no Médio Oriente

A chegada do USS Gerald R. Ford à região recria um quadro que não se verificava desde o verão passado, quando os Estados Unidos mantiveram dois porta-aviões nucleares a operar no Médio Oriente - o USS Nimitz (CVN-68) e o USS Carl Vinson (CVN-70) - na sequência da Operação “Martelo da Meia-Noite”, em junho de 2025, durante a qual o programa nuclear iraniano foi atingido com bombardeiros furtivos B-2 Spirit.

Força prevista após a junção ao USS Abraham Lincoln

Quando o CVN-78 se integrar nas operações ao lado do USS Abraham Lincoln, a presença norte-americana na região deverá atingir quinze contratorpedeiros, além da presença de submarinos de ataque não identificados, bem como as alas aéreas embarcadas de ambos os porta-aviões. Entre os meios aéreos referidos incluem-se:

  • Caças F/A-18 e F-35C Lightning II
  • Aeronaves de ataque electrónico EA-18G
  • Aeronaves de alerta antecipado E-2D
  • Helicópteros MH-60 S/R
  • Aeronaves de apoio CMV-22B

Fotografias usadas apenas para fins ilustrativos.

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