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Os SUV chineses sabem nadar yo

SUV elétrico verde com tejadilho preto estacionado em garagem com grandes janelas e vista urbana.

Em 1998, os Black Company lançaram a pergunta ao país inteiro - “sabes nadar, yo?” - e Portugal respondeu em uníssono: “não sabe nadar ye”. Quase 30 anos depois, a provocação regressa, desta vez vinda da China e com uma pequena alteração que muda tudo: e os SUV, sabem nadar?

Ao que parece, sabem mesmo. Primeiro, foi o Yangwang U8, o enorme híbrido plug-in da BYD, a tornar-se viral por atravessar cursos de água como se fosse um brinquedo de luxo. Agora, é o Jetour Zongheng G700, da Chery, a levar a ideia mais longe ao tornar-se no primeiro SUV do mundo a cruzar o rio Yangtzé - o mais longo da Ásia e o terceiro maior do planeta.

Jetour Zongheng G700 cruza o rio Yangtzé: o feito em Wuhu

A travessia aconteceu hoje em Wuhu, perto da sede da Chery. O G700 entrou na água a partir do terminal de Heisha Zhou e, 22 minutos depois, voltou a assentar as quatro rodas em terra no terminal de Ferry de Nanlong. Entre os dois pontos, percorreu 1,48 km no total, dos quais 1,2 km foram em água, enfrentando correntes na ordem dos 5 a 10 km/h.

Durante o percurso manteve uma estabilidade invulgar para um veículo deste tipo, com uma média de 7 km/h e a carroçaria sustentada sobre a água. E fê-lo sem recurso a hélices: o avanço foi assegurado apenas pela rotação das rodas.

“Saber nadar” sem meter água

Para um SUV conseguir repetir este tipo de manobra, não chega ter altura ao solo ou tracção às quatro rodas - é preciso arquitectura específica. No caso do Zongheng G700, a carroçaria é selada e sem perfurações, ajudando a impedir a entrada de água. Soma-se um sistema activo de circulação de ar e uma solução de propulsão eléctrica baseada em electrónica de potência com carboneto (tipicamente carboneto de silício), concebida para garantir força suficiente para o manter à tona e em movimento.

O equilíbrio não é deixado ao acaso: um giroscópio de seis eixos ajusta continuamente a atitude do veículo, compensando em tempo real a acção das correntes para manter o SUV o mais nivelado possível.

O que significa isto na prática?

Além do impacto mediático, esta capacidade aponta para um caminho em que certos SUV começam a integrar funcionalidades normalmente associadas a equipamento especializado - útil em cenários de cheias repentinas ou travessias controladas, mas também exigente do ponto de vista de segurança. Mesmo com sistemas avançados, a estabilidade na água depende de factores como vento, ondulação, carga e comportamento das correntes, pelo que a utilização fora de demonstrações controladas continuará a ser um tema sensível.

Há também a dimensão regulamentar: a transformação de um SUV num veículo com aptidão anfíbia coloca questões sobre homologação, responsabilidade e procedimentos de emergência. Em muitos mercados, o que funciona numa demonstração pode não ser automaticamente permitido em vias públicas ou em cursos de água, o que torna provável que estas funções sejam, pelo menos numa fase inicial, tratadas como capacidades de segurança e não como um convite ao uso recreativo.

Especificações fora de água e preços

Em terra firme, o Jetour Zongheng G700 posiciona-se como um SUV híbrido de luxo. Conta com um motor 2.0 turbo a gasolina com 155 kW e 340 Nm, apoiado por um sistema eléctrico que, em conjunto, entrega 560 kW (751 cv) e 795 Nm de binário.

A estreia comercial está prevista para ainda este mês, com valores entre 349 900 e 429 900 yuan - aproximadamente 42 mil a 52 mil euros à taxa de câmbio actual.

De carros que dançam a carros que flutuam

Em 1998, “Sabes nadar, yo?” servia de hino de autoafirmação. Em 2026, a resposta parece vir sobre quatro rodas: primeiro surgiram carros que dançam, depois carros que conduzem sozinhos, e agora carros que flutuam. Resta perceber se estes SUV anfíbios conseguirão, no mercado, um sucesso à altura da música que lhes inspirou a pergunta.

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