Durante uma visita oficial aos comandos da Royal Navy destacados no chamado Campo Viking, o secretário da Defesa do Reino Unido confirmou a decisão de Londres de intensificar a sua presença militar no Ártico. A medida passa por duplicar o efetivo estacionado na Noruega, que deverá subir de 1.000 para 2.000 militares. Segundo o Ministério da Defesa britânico, este reforço permitirá às forças do Reino Unido assumirem um papel mais relevante na missão Arctic Sentry da OTAN, concebida para robustecer a segurança regional perante aquilo que é descrito como uma ameaça russa em crescimento.
Calendário do reforço e papel britânico na Arctic Sentry da OTAN
De acordo com os pormenores avançados por John Healey, o aumento para 2.000 militares deverá ficar concluído antes de terminar o prazo de três anos previsto para a implementação, garantindo assim uma intensificação gradual da presença britânica no terreno.
O secretário acrescentou ainda que o Reino Unido planeia liderar o exercício “Lion Protector”, a cargo da Força Expedicionária Conjunta (JEF) no Alto Norte, agendado para setembro. O treino deverá centrar-se:
- na protecção de infra-estruturas críticas perante eventuais tentativas de sabotagem;
- no reforço das capacidades de comando e coordenação entre as partes envolvidas.
Royal Navy, “Cold Response” e treino em fiordes e montanhas
Para além dessa actividade, o Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou que irá destacar cerca de 1.500 comandos da Royal Navy para participarem no exercício “Cold Response” da OTAN, previsto para decorrer ao longo do mês de março.
O exercício terá lugar em várias regiões da Noruega, Finlândia e Suécia, tirando partido das condições geográficas para executar um programa exigente de formação em operações em fiordes e em ambiente montanhoso. Estas iniciativas enquadram-se no que foi recomendado pela mais recente Revisão Estratégica de Defesa, onde ficou estabelecido que o Reino Unido deveria “melhorar a postura de dissuasão da OTAN no norte da Europa e no Alto Norte.”
Declarações de John Healey sobre a ameaça russa no Ártico e no Alto Norte
Healey enquadrou o reforço com uma avaliação mais dura do ambiente de segurança, afirmando:
“As exigências em matéria de defesa estão a aumentar, e a Rússia representa a maior ameaça para a segurança do Ártico e do Alto Norte desde a Guerra Fria. Vemos Putin a restabelecer rapidamente a sua presença militar na região, incluindo a reabertura de antigas bases da Guerra Fria. O Reino Unido está a intensificar os seus esforços para proteger o Ártico e o Alto Norte: duplicando o número de tropas que temos na Noruega e reforçando os exercícios conjuntos com os aliados da OTAN. Este ano, Cold Response e Lion Protector colocarão milhares de militares no Ártico e no Atlântico Norte, com o Reino Unido a liderar. Treinamos juntos, dissuadimos juntos e, se for necessário, lutaremos juntos.”
Acordo de Lunna House: investimento conjunto, sistemas não tripulados e fragatas Tipo 26
Importa sublinhar que estas novidades surgem poucos meses depois da assinatura do Acordo de Lunna House entre Londres e Oslo. Este entendimento abre espaço a novos investimentos conjuntos tanto na aquisição de material militar como no desenvolvimento de novos sistemas não tripulados.
Em paralelo, o acordo facilita o caminho para a constituição de uma frota interoperável de fragatas Tipo 26, que equipará a Marinha britânica e a sua congénere norueguesa. A escolha do modelo por parte da Noruega torna-a o primeiro cliente internacional destas fragatas, com incorporação a partir de 2030, de acordo com os planos actuais.
O que está em causa no Alto Norte: presença, prontidão e cooperação
O reforço de efectivos e a intensificação de exercícios no Ártico reflectem também a necessidade de elevar a prontidão em ambientes extremos, onde o frio, a visibilidade reduzida e a complexidade do terreno condicionam mobilidade, comunicações e sustentação logística. Nestes cenários, o treino repetido com aliados torna-se determinante para transformar capacidades disponíveis em resposta rápida e coordenada.
Ao mesmo tempo, a ênfase na protecção de infra-estruturas críticas aponta para uma preocupação crescente com activos estratégicos no Atlântico Norte e no Alto Norte, onde a segurança depende não apenas de navios e tropas, mas também de uma coordenação eficaz entre forças e de procedimentos comuns para detectar, prevenir e reagir a incidentes.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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