A NASA confirmou que perdeu oficialmente o contacto com uma sonda que orbitava Marte desde 2014.
Perder comunicações no espaço nem sempre significa que uma missão acabou - mas é sempre um sinal de alerta. Foi isso que aconteceu com a MAVEN, uma das orbitadoras que ajudam a vigiar Marte, quando deixou de responder durante uma passagem que, em condições normais, seria apenas mais uma parte rotineira da sua órbita.
A MAVEN - Mars Atmosphere and Volatile Evolution (Evolução da Atmosfera e dos Voláteis de Marte) - deixou subitamente de comunicar com a Terra a 6 de dezembro de 2025, no momento em que passou por trás do planeta vermelho, algo que acontece regularmente ao longo do seu percurso. O problema surgiu quando voltou a ficar “à vista”: o controlo em terra da NASA não conseguiu restabelecer a ligação.
A 9 de dezembro, a agência espacial anunciou que está a analisar o problema e a tentar localizar qualquer sinal que possa ser recebido.
Antes da passagem por trás de Marte, todos os sistemas tinham estado a funcionar normalmente.
MAVEN e Marte: missão, órbita e objetivos científicos
A MAVEN é uma das sete sondas orbitais que continuam a observar Marte ativamente. Foi lançada da Terra em 2013 e entrou em órbita marciana em setembro de 2014, com a missão de estudar a atmosfera superior e a ionosfera do planeta, bem como a forma como estas regiões interagem com o vento solar.
Ao medir as taxas e os processos de perda atmosférica ao longo do tempo, a MAVEN deu aos cientistas ferramentas decisivas para perceber como Marte pode ter passado de um mundo com água à superfície para o planeta frio, seco e poeirento que é hoje.
Os dados da MAVEN foram especialmente relevantes ao reforçar a hipótese de que a perda atmosférica terá sido um caminho de “escape” para a água de Marte: durante grandes tempestades de poeira, o vapor de água pode ser transportado para altitudes elevadas, onde fica mais exposto e pode ser arrastado pelo vento solar.
Descobertas da MAVEN sobre a atmosfera superior, a ionosfera e o vento solar
Além disso, a sonda ajudou a:
- traçar mapas dos ventos marcianos;
- revelar a “cauda” magnética invisível de Marte;
- identificar o mecanismo de sputtering (erosão por pulverização), que acelera a perda de elementos voláteis da atmosfera marciana;
- detetar um novo tipo de aurora de protões.
No seu conjunto, estas descobertas ajudam a explicar a evolução planetária - isto é, como dois mundos tão parecidos como a Terra e Marte podem, ainda assim, seguir trajetórias muito diferentes, com consequências igualmente distintas para a habitabilidade.
Valor para missões futuras e operações atuais em Marte
Os conjuntos de dados recolhidos por missões como a MAVEN também podem ser úteis no planeamento de futuras missões a Marte.
E a MAVEN não é importante apenas do ponto de vista científico. A bordo, transporta um rádio UHF que funciona como parte da rede de retransmissão de dados entre os veículos de superfície da NASA, Curiosity e Perseverance, e a Terra.
Por isso, a MAVEN é particularmente relevante para as operações marcianas em curso, e perceber o que levou à falha de comunicações pode ajudar a proteger outras missões de problemas semelhantes.
Em situações deste tipo, as equipas de missão procuram normalmente sinais mínimos que confirmem o estado da nave e tentam apurar se houve uma falha de energia, um problema na antena, uma alteração inesperada de orientação ou a entrada num modo de segurança automático. Identificar rapidamente o cenário é crucial para definir comandos de recuperação e evitar riscos adicionais.
A perda de um retransmissor orbital também pode obrigar a reajustar a forma como os rovers enviam dados, recorrendo mais a outras sondas em órbita para garantir janelas de comunicação suficientes. Uma gestão cuidada destes recursos é essencial para manter o ritmo das operações científicas à superfície.
Segundo a NASA, “as equipas da nave e de operações estão a investigar a anomalia para resolver a situação”. A agência acrescentou que serão divulgadas mais informações “assim que estiverem disponíveis”.
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